Três movimentos relevantes marcaram o noticiário de gestão no futebol brasileiro: o Bahia lançou um projeto de centro de treinamento de R$ 300 milhões com padrão internacional do Grupo City; o Paraná Clube avançou rumo à Sociedade Anônima do Futebol ao aprovar, no Conselho, a proposta da NextPlay para a UPI Futebol; e o Real Brasília tornou-se a primeira SAF do país a ingressar com pedido de recuperação judicial, alegando crise econômico‑financeira e queda de receitas.

Bahia — um CT de R$ 300 milhões com padrão City e licença prévia assinada
O Bahia apresentou o projeto da City Football Academy Bahia, complexo de treinamento que será construído na Via Metropolitana (BA‑535), em Camaçari, com investimento estimado em R$ 300 milhões. O anúncio ocorreu na Arena Fonte Nova, com a presença do CEO global do Grupo City, Ferran Soriano, e do governador Jerônimo Rodrigues, que assinou a licença prévia do empreendimento. O plano prevê entrega em 2028 e ocupa área superior a 1 milhão de m², com 12 campos e um miniestádio inicial para 1.000 espectadores.
O desenho segue padrões internacionais do grupo controlador da SAF tricolor e contempla certificação ambiental (LEED), com painéis fotovoltaicos, reaproveitamento de água da chuva, tratamento de efluentes, uso de iluminação natural e ações de reflorestamento. O centro atenderá o futebol profissional masculino e feminino, as categorias de base e abrigará a sede administrativa do clube. De acordo com o governo, o licenciamento considerou a compatibilidade com o zoneamento da APA Joanes‑Ipitanga — o projeto se situará majoritariamente em Zona de Uso Diversificado, preservando áreas de Proteção Rigorosa com medidas de compensação ambiental. Como contrapartida, o Bahia deverá promover reformas no estádio municipal Fernando Ferreira Lopes, em Camaçari. Para Soriano, a academia será um espaço de excelência técnica e desenvolvimento pessoal e profissional; para o governador, trata‑se de um investimento estruturante para o esporte baiano.
Fonte: Poder360

Paraná Clube — Conselho aprova NextPlay e processo avança a credores
O Paraná Clube aprovou por unanimidade, no Conselho Deliberativo, a proposta da NextPlay S.A. para aquisição da UPI Futebol — passo decisivo na modelagem que mira a criação da SAF paranista. Segundo o clube, a empresa foi a única a cumprir todas as etapas e apresentou um plano considerado estruturado, responsável e com compromisso de longo prazo. O desenho resulta de cerca de dez meses de estudos técnicos e jurídicos, com participação da PGFN e do Banco Central, além de diálogo com credores.
A proposta inclui investimentos em infraestrutura, centro de treinamento, base e melhorias no estádio, apontados como pilares para recuperar sustentabilidade e competitividade. O cronograma agora depende da Assembleia Geral de Credores, marcada para sexta‑feira (24), que votará o plano modificativo apresentado por representantes dos credores e investidores. A aprovação é condição indispensável para viabilizar juridicamente a SAF. Se passar, o projeto retorna ao Conselho para a etapa final — assinatura de contratos e formalização de garantias. Após anos de crise e rebaixamentos, o clube busca reconstrução com base em governança, capital novo e plano de negócios pactuado com seus credores.
Fonte: Nosso Dia
Real Brasília — a primeira SAF a pedir recuperação judicial
O Real Brasília protocolou pedido de recuperação judicial na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Distrito Federal (processo 0797452‑75.2025.8.07.0016), tornando‑se a primeira Sociedade Anônima do Futebol do país a recorrer formalmente ao instrumento para reorganizar dívidas sob a Lei 11.101/2005 e a Lei 14.193/2021. O clube alega crise econômico‑financeira momentânea, causada por redução de receitas de bilheteria e patrocínio, efeitos residuais da pandemia e desigualdade na distribuição dos direitos de transmissão.
O passivo total é estimado em R$ 48 milhões, sendo R$ 1,8 milhão em débitos fiscais; a causa do processo foi fixada em R$ 8,9 milhões. A entidade informa empregar 56 funcionários e afirma que a medida busca preservar atividades, empregos e compromissos tributários. Em análise crítica sobre o modelo, um advogado ouvido pela reportagem atribui vulnerabilidades a estruturas em que a SAF nasce com poucos ativos reais além de direitos econômicos de atletas, enquanto o patrimônio físico permanece na associação — o que dificultaria garantias de execução. Em campo, o clube acumula resultados relevantes no cenário local: foi campeão brasiliense masculino em 2023 e tetracampeão feminino entre 2019 e 2022.
Fonte: Jornal de Brasília
Em perspectiva
Os três movimentos expõem a amplitude do ecossistema das SAFs no país. O Bahia reforça a vertente de capital intensivo em infraestrutura, com governança ambiental e suporte do controlador global. O Paraná Clube sinaliza um rito de reestruturação baseado em consenso com credores, marco regulatório e investimento direcionado. Já o Real Brasília acende um alerta sobre a necessidade de modelos financeiros e de ativos mais robustos, assim como de receitas previsíveis em ambientes de alta volatilidade — sobretudo fora das principais divisões nacionais.




