O Conselho Deliberativo do Esporte Clube Santo André aprovou por unanimidade, na noite desta quinta-feira (27), a transformação da agremiação em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Os 60 dos 125 integrantes do órgão presentes foram favoráveis à proposta da empresa Tatemono. A votação foi realizada na sede social do time, no Parque Jaçatuba. Agora, a proposta será submetida à avaliação dos associados, prevista para acontecer até a segunda quinzena de setembro. Após a aprovação na Assembleia de Sócios, o projeto ainda terá de ser analisado por um juiz. Caso não seja aprovada nessa etapa, será possível recorrer da decisão.
Pelos termos do acordo, a companhia ficará com 90% do departamento de futebol do Santo André, enquanto os 10% permanecerão sob controle do clube. A parte social, por sua vez, continuará 100% vinculada ao Ramalhão. “Estamos felizes porque o Santo André começa a ter um padrão diferente de futebol. Sem SAF, não se sustenta. Queremos começar o (Campeonato) Paulista de uma forma diferente”, diz o presidente do Ramalhão, Celso Luiz de Almeida.

Os termos do acordo e o apoio da torcida
A nova controladora visa assumir o valor de R$ 22,5 milhões em dívidas, submetidas à recuperação judicial. A empresa formalizou, ainda, que vai direcionar investimento de R$ 142 milhões para o futebol do Ramalhão pelos próximos 10 anos. O CT (Centro de Treinamento) do Santo André também ficará para a Tatemono, com assistências médica, psicológica e profissional. “Nós estamos sempre observando grandes oportunidades de mercado. Não podíamos deixar de olhar para o Grande ABC tendo uma joia como o Santo André disponível”, explica o representante legal da empresa, Júlio Cesar Cavalcanti.
A Tatemono é uma companhia que está no mercado há seis anos e constitui parcerias público-privadas, concessões e projetos em longo prazo. “O orçamento previsto para 10 anos segue as métricas esportivas e o planejamento foi desenhado com bastante austeridade. Não quer dizer que esse é o valor limite, porque existe uma série de cronogramas a serem seguidos. Com um desempenho que traga resultados mais rápido, obviamente pode trazer um orçamento diferente ao longo dos anos.”
A possível aprovação da proposta é avaliada positivamente pela torcida, mas sem ilusões. Fábio Castana, conhecido como “Binho”, é um dos apaixonados pela agremiação que integram o Coletivo Andreense, união de projetos e torcidas em prol do crescimento do Ramalhão. “Estamos atentos e esperançosos com a mudança para a SAF, porém, cautelosos. Ela viria para ser algo mais profissional.” Para os torcedores, a SAF deve trazer benefícios dentro e fora dos campos, profissionalizando a gestão e organizando o pagamento de dívidas.
Daniel Doug, do projeto Acervo1967, também faz parte do coletivo, e destaca que mudanças na regulamentação interna blindam o Santo André de passar por mudanças de identidade e se tornar um “novo Bragantino” — que adicionou Red Bull ao nome. “Quero acreditar que a proposta aceita seja de um grupo sério, que respeite a torcida andreense, além da tradição e do peso da camisa do Esporte Clube Santo André.” O nome da empresa que pretende adquirir a SAF é mantido em sigilo pela diretoria andreense. Às vésperas do 60º aniversário — 18 de setembro —, os holofotes no Jaçatuba se voltam para fora das quatro linhas, com o time sem calendário até 2027. O contexto também é marcado pelo escândalo que resultou na perda de dez pontos, causada pela escalação em dois jogos do atacante Alexiel, não registrado, o que levou a torcida andreense a questionar a diretoria sobre falhas administrativas que já teriam prejudicado o andamento de outras temporadas.
Fonte: Diário do Grande ABC.



