A SAF do Botafogo, liderada pelo empresário John Textor, iniciou nesta quinta-feira (12) um processo drástico de reestruturação motivado pelo agravamento de sua crise financeira. O movimento resultou na demissão de aproximadamente 40 funcionários de diversos setores e na extinção completa de departamentos estratégicos, gerando um clima de incerteza nos bastidores do clube.
As dispensas atingiram áreas variadas, como Marketing, Jurídico e o programa de sócio-torcedor Camisa 7. Mais do que cortes pontuais, a diretoria optou por encerrar as atividades dos setores de Controladoria e de Board. Informações internas indicam que o contingente de demitidos pode aumentar nos próximos dias, com o futebol feminino e as categorias de base sendo os próximos alvos prováveis da redução de custos.
Reestruturação sob nova liderança e justificativa oficial
A condução dos cortes está sendo liderada por Danilo Caixeiro, que assumiu o posto de COO (Diretor-Chefe de Operações). A mudança no comando operacional ocorreu após a saída do ex-CEO, Thairo Arruda, e visa equilibrar o caixa da SAF diante de um cenário descrito por fontes internas como de “terra arrasada”.
Oficialmente, o Botafogo confirmou os desligamentos e justificou a medida como parte de um plano de sustentabilidade financeira. O objetivo da cúpula é maximizar a eficiência operacional, reduzir custos fixos e potencializar a geração de novas receitas, entendendo que tais ajustes são necessários ao completar quase quatro anos de gestão sob o modelo empresarial.
O fim do transfer ban e a polêmica do aporte milionário
As demissões ocorrem paradoxalmente na mesma semana em que o clube celebrou o fim do transfer ban imposto pela Fifa. A punição era referente a uma dívida de aproximadamente R$ 109 milhões com o Atlanta United, dos Estados Unidos, pela contratação do meia Thiago Almada em 2024.
Para quitar a pendência e receber um aporte inicial de US$ 50 milhões, Textor recorreu a empréstimos junto às empresas norte-americanas GDA Luma Capital e Hutton Capital. No entanto, os termos desse financiamento geraram uma grave crise na alta cúpula do clube:
- Saída do CEO: Thairo Arruda pediu demissão por não concordar com as condições do empréstimo.
- Risco societário: O contrato possui uma cláusula que permite a conversão da dívida em participação societária na SAF caso o pagamento não seja efetuado, o que poderia diluir o controle de John Textor sobre o clube.
Histórico de instabilidade e atrasos
O cenário de cortes severos é o ápice de meses de dificuldades para equilibrar as contas. Recentemente, o Botafogo enfrentou problemas para manter as obrigações trabalhistas em dia:
- FGTS e imagem: O volante Danilo, contratação mais cara da história do clube, chegou a ameaçar rescisão judicial por atrasos no FGTS, situação regularizada apenas em janeiro.
- Direitos de imagem: Parcelas atrasadas devidas aos atletas foram quitadas somente no final do mês passado.
Apesar do aporte recente, a pressão financeira segue alta, e a diretoria já sinalizou a necessidade de uma redução robusta na folha salarial do elenco profissional para os próximos meses.



