O Atlético deu um passo decisivo em seu cronograma administrativo ao publicar, na última sexta-feira (8), o edital de convocação para uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo. O encontro, agendado para o dia 25 de maio na Arena MRV, terá como pauta central a votação das contas referentes ao último exercício e a formalização de um aporte financeiro estrutural. A reunião contará com duas chamadas, sendo a primeira às 18h — exigindo quórum de dois terços dos conselheiros — e a segunda às 19h, para deliberar sobre os rumos da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube.
O balanço financeiro a ser apreciado pelos conselheiros revela um cenário desafiador, com o endividamento consolidado ultrapassando a marca de R$ 1,7 bilhão. A radiografia das contas aponta que R$ 654 milhões são relativos a débitos bancários e R$ 487 milhões a obrigações tributárias. Outras fatias expressivas da dívida incluem R$ 383 milhões vinculados à Arena MRV e R$ 243 milhões investidos na aquisição de atletas. Somados, os compromissos bancários e os custos da arena totalizam uma dívida onerosa de R$ 1,037 bilhão, montante que a gestão pretende endereçar com urgência.
Estratégia de capitalização e quitação de dívidas onerosas
Para mitigar o passivo financeiro, o edital detalha a operação de aporte que será liderada pela família Menin. O plano consiste na emissão de novas ações em nome da Galo Holding S.A., que serão adquiridas pelos controladores do clube em um investimento de aproximadamente R$ 430 milhões. Além desse valor, o aporte será complementado por outros R$ 94 milhões referentes ao Fundo de Investimento do Galo (FIGA), montante que já havia sido injetado previamente na estrutura do clube e agora será formalmente incorporado à capitalização.
A realização desta operação de crédito estava originalmente prevista para o mês de março, mas enfrentou atrasos devido a entraves burocráticos. Segundo a administração, questões contratuais e ajustes junto a equipes jurídicas impediram que o recurso entrasse no caixa dentro do prazo inicial. A aprovação pelo Conselho Deliberativo na próxima semana é vista como o gatilho necessário para que o Atlético consiga reduzir sua exposição bancária e equilibrar o fluxo de caixa da SAF, garantindo maior sustentabilidade para as operações esportivas e de infraestrutura nos próximos anos.
Fonte: O Tempo.



