O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, sinalizou que a Libra entrará em uma nova fase de embates com a Globo após a conclusão do acordo que encerrou as divergências internas do bloco. Em depoimento durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), nesta quinta-feira (14), o dirigente afirmou que a união do grupo permitirá redirecionar as forças para a renegociação do contrato de transmissão vigente até 2029. O tom foi de disposição para o confronto comercial, com um recado direto à emissora.
“Está escrito, está no contrato, mas nós vamos, seguramente, nesta nova fase da Libra, rediscutir absolutamente tudo do contrato com a Globo”, declarou Bap. O principal ponto de insatisfação dos clubes está na assimetria contratual: caso a Libra tenha menos de nove times na Série A, a Globo reduz o pagamento em 10% sobre o contrato estimado em R$ 1,17 bilhão por ano. No entanto, se o bloco tiver dez ou mais clubes na elite — como ocorreu em 2026 com a chegada do Remo —, a emissora não é obrigada a aumentar o valor. A Futebol Forte União (FFU), por sua vez, possui cláusula simétrica em seu contrato.
“É de uma burrice inacreditável. Cada clube que entra, você tem mais jogos. Como você não ganha mais dinheiro com isso?”, questionou o mandatário, que também elogiou a estratégia da Livemode, agência que assessorou a FFU na venda dos direitos. Bap reconheceu que, apesar de a Libra deter 60% da audiência, o bloco ficou com apenas 40% do valor negociado — proporção inversa ao que considera justo. Para ele, o segredo do sucesso da concorrência foi a fragmentação dos direitos, com a Amazon pagando R$ 264 milhões por ano por um jogo por rodada, numa estratégia que comparou a “vender o boi aos bifes”.
O recado para 2030 e a insatisfação com o Cartola
Bap admite que o contrato assinado não dá margem para questionamento jurídico imediato, mas lembra que a relação comercial com a Globo não se encerra em 2029. O próximo ciclo, a partir de 2030, é a verdadeira arena de disputa. O dirigente aproveitou para colocar um alvo específico sobre o Cartola, fantasy game administrado pela emissora que reúne uma base de quase 1 milhão de usuários. O direito de exploração do jogo está embutido nos contratos de transmissão, mas não gera repasse adicional aos clubes pelo uso da imagem das equipes e dos atletas.
“A Globo não paga nada a ninguém pelo Cartola. Por quê? Qual é o racional? Tem 2030 aí. Se você me tratar mal agora, vai que a gente lembra em 2030? Então, quando você é do ramo e entende, você vai negociar de maneira diferente”, disse Bap, em tom que alternava entre o sorriso e a firmeza. O dirigente garantiu que o novo embate, independentemente do desfecho, “vai ser divertido”. A declaração explicita a estratégia da Libra de usar o próximo ciclo de negociação como moeda de pressão sobre a Globo, colocando na mesa não apenas o valor dos contratos, mas também a exploração de ativos digitais que hoje não remuneram os clubes.
Fonte: Estadão.



