A 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro deferiu, na madrugada desta sexta-feira, o pedido de recuperação judicial protocolado pela SAF do Botafogo. A decisão, assinada pelo juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, ocorre menos de 24 horas após o clube ter entrado com o pedido formal na última quinta-feira, no mesmo dia em que foi eliminado da Copa do Brasil pela Chapecoense. O processo agora segue os trâmites da Lei nº 11.101/05, que rege as recuperações judiciais no país.
O passivo declarado pelo Botafogo sujeito à renegociação no âmbito da recuperação judicial é de R$ 1,2 bilhão. A dívida total do clube, no entanto, ultrapassa a casa dos R$ 2,5 bilhões, dos quais cerca de R$ 400 milhões correspondem a débitos tributários, que não entram no processo de renegociação. Em abril, a SAF já havia ingressado com uma medida cautelar preparatória, que antecipou alguns efeitos protetivos. Agora, com a decisão definitiva, o clube terá que cumprir uma série de obrigações formais nos próximos meses para manter o benefício.
Com a recuperação judicial autorizada, a SAF do Botafogo terá um prazo de 60 dias para apresentar o plano de soerguimento, documento que detalhará as formas de equacionamento das dívidas e as estratégias para manutenção das operações correntes. A diretoria alvinegra deposita esperanças no processo para reverter os três transfer bans impostos pela Fifa, que atualmente impedem o registro de novos jogadores. As pendências referem-se às contratações de Rwan Cruz (junto ao Ludogorets), Santi Rodríguez (New York City FC) e Thiago Almada (Atlanta United).
Na véspera do deferimento do pedido, o Botafogo divulgou uma nota oficial na qual criticou duramente a gestão de John Textor, ex-controlador da SAF. O clube afirmou que a condução do empresário norte-americano revelou “absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional” da empresa, contribuindo diretamente para o agravamento da crise que tornou inevitável o ajuizamento da recuperação judicial. A decisão da Justiça marca o início formal de um processo que deverá se estender pelos próximos meses, com a expectativa de que o ambiente jurídico controlado permita a renegociação das dívidas e a retomada da capacidade operacional do clube.
Fonte: O Globo; Máquina do Esporte.



