Uma auditoria abrangente, apresentada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Comercial-SP, Gustavo Guerra, aponta um endividamento total de R$ 42 milhões acumulado desde a década de 1980 até julho de 2025, incluindo obrigações municipais, FGTS, previdência, além de processos trabalhistas e cíveis. O valor considera pagamentos integrais sem qualquer negociação, mas pode ser reduzido para cerca de R$ 25 milhões com acordos judiciais e ajustes fiscais, conforme o dirigente, que vê na divulgação pública uma oportunidade para atrair potenciais investidores interessados em transformar o clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Os números foram expostos ao Conselho Deliberativo e tornados públicos para fomentar parcerias, em um momento em que o clube enfrenta desafios operacionais e esportivos. Guerra enfatizou que, em comparação com outros clubes tradicionais, o montante “não é nada” e pode ser equacionado via SAF, principal alternativa defendida. Outras opções em estudo incluem recuperação judicial ou adesão ao regime centralizado de execução. “Estamos fazendo reuniões com advogados, vamos fazer adequação de todos os boxes do estádio. Eles futuramente serão dados como garantia. Fazendo acordo na Justiça, juntando todos os nossos débitos e pagando mensalmente, a gente tem o ativo dos boxes e aí conseguimos liberar cotas da FPF, de patrocinadores. Mas a salvação é a SAF, só que enquanto não chega, estamos movimentando”, afirmou.
Para dirigentes e investidores, o cenário oferece atratividade: dívida negociável em patamar gerenciável, ativos como o estádio e histórico centenário do Comercial posicionam o clube como oportunidade de entrada estratégica no futebol paulista. Patrocinadores e fornecedores monitoram de perto, pois acordos fiscais e trabalhistas impactam fluxo de caixa e estabilidade contratual, enquanto profissionais jurídicos e contábeis veem na SAF um modelo comprovado para profissionalização e captação de recursos externos.
No âmbito político-institucional, o Conselho projeta eleições para a diretoria executiva nos dias 20 ou 21 de agosto, com edital publicado em 1º de agosto. Wesley Rios assume interinamente a presidência, substituindo Antônio Carlos Campanelli, que renunciou na semana passada. A transição reforça a urgência de soluções financeiras para manter competitividade e atrair aportes, em um contexto onde a transparência patrimonial pode ser o diferencial para negociações avançadas com fundos ou grupos empresariais interessados em SAFs regionais.
Fonte: ge.Globo.



