A ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), responsável pela fiscalização do fair play financeiro, notificou a diretoria da Ponte Preta na semana passada para apurar os atrasos salariais persistentes no clube, solicitando relatório com demonstrativos de pagamentos a atletas e funcionários. O prazo inicial de 10 dias úteis foi estendido até o início de maio a pedido do departamento jurídico alvinegro, configurando uma diligência documental preliminar que pode evoluir para investigação formal, conforme o regimento da agência permite ampliar o escopo com base em indícios de monitoramento.
A crise financeira ganhou notoriedade pública, com casos de jogadores que receberam apenas três salários desde junho de 2025, funcionários do futebol próximos a completar um ano sem pagamentos e pessoal administrativo enfrentando dificuldades cotidianas devido a vencimentos mais baixos não quitados. O balanço de 2025, apresentado na segunda-feira e aprovado pelo Conselho Deliberativo expõe a fragilidade que atraiu a atenção regulatória e apresenta déficit de R$ 33,5 milhões. Foi o último ano da gestão de Marco Antonio Eberlin como presidente – hoje ele é vice de Luiz Antonio Alves Torrano e também diretor de futebol. Ainda assim, as contas foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo.
O Ministério Público do Trabalho também investiga denúncias de atrasos salariais e assédio moral contra a Ponte, ampliando a pressão sobre a administração. Após a derrota por 1 a 0 para o Náutico, terceira em quatro rodadas da Série B – com apenas um ponto e vice-lanterna –, o goleiro Diogo Silva desabafou sobre o impacto extracampo: se a situação persistir, o clube caminha para mais um rebaixamento, após a queda no Paulistão de 2026. No geral, entre Paulistão, Copa do Brasil e Série B, o time registra 11 derrotas, dois empates e uma vitória (contra o Guarany de Bagé-RS na Copa do Brasil).
Para dirigentes e investidores, o caso ilustra riscos de governança em clubes tradicionais: a notificação da ANRESF pode resultar em sanções como multas ou restrições operacionais. Patrocinadores e fornecedores monitoram de perto, pois atrasos salariais afetam motivação de atletas e estabilidade contratual, impactando desempenho e atratividade comercial em uma Série B competitiva onde a Ponte luta para pontuar. A assessoria do clube optou por não se pronunciar, priorizando a entrega dos documentos para análise técnica da agência.
Fonte: ge.Globo.



