Rodrigo Monteiro de Castro, um dos autores da Lei da SAF, destacou que a Safiel pode ser modelo ideal para o Corinthians e que possui potencial para transformar o panorama do mercado da bola. O modelo, desenvolvido por torcedores do Corinthians, propõe captação de recursos com dezenas ou centenas de milhares de torcedores, diferenciando-se de investimentos concentrados em poucos bilionários ou conglomerados estrangeiros.
O advogado apontou características que podem se ajustar perfeitamente à realidade e dimensão do clube paulista. Diferente de modelos tradicionais de compra por um único dono ou grupos de investimento restritos, Castro vê na Safiel uma alternativa genuinamente popular.
“Um projeto que é bastante interessante, que eu não sei se é o ideal, mas que a gente tem que entender que isso pode ser um caminho é um que se chama Safiel, que é um projeto que foi desenvolvido por torcedores do Corinthians, que querem oferecer um caminho para que se possa captar recursos com a torcida, de modo generalizado”, afirmou Castro.
A principal diferença para outros modelos no mercado está na pulverização do investimento. Enquanto alguns clubes buscam segurança financeira através de poucos torcedores bilionários, a proposta alvinegra aposta no engajamento massivo da sua base. “No caso do Corinthians, a ideia é que esses recursos venham da maior quantidade possível de pessoas. Números… 90, 100, 120 mil pessoas que destinariam pequenas parcelas para a formação da estrutura de capital de um fundo de investimento”, explicou.
Na prática, essa arrecadação coletiva daria origem a um fundo estruturado responsável por dialogar com o clube social e criar uma “empresa” de futebol, garantindo gestão mais profissional sem entregar controle a um único investidor externo. “Este fundo iria negociar com o Corinthians a constituição de uma SAF, de modo que os ativos viriam do Corinthians, os recursos desse fundo teriam origem em milhares, dezenas, centenas de milhares de torcedores, se estabeleceria uma governança e aí se teria aqui uma ‘SAF do povo’, como ela vem sendo apresentada”, concluiu Monteiro de Castro.
Inovação e abertura para novos caminhos
Ao avaliar a viabilidade da proposta, Castro reforçou que a Lei da SAF não impõe modelo único e que o sucesso de uma operação depende do alinhamento entre o investidor e a identidade do clube. Para ele, essa “SAF do povo” tem aderência específica com o perfil do Corinthians.
O especialista foi otimista sobre a diversificação do mercado. Se a Safiel avançar, representará uma inovação significativa, abrindo portas para que outros clubes explorem caminhos além da venda tradicional para conglomerados estrangeiros.
“É o modelo ideal? Talvez seja o modelo ideal para o Corinthians e não para outro. A gente chega no que está sendo montado que me agrada muito e que acho que, dando certo, não tem por que não dar certo, pode influenciar para outros caminhos como este modelo mais ousado da Safiel, que envolve efetivamente a entrada do povo da torcida ou do povo torcedor dentro de uma estrutura”, completou Castro.
O modelo representa uma alternativa distinta ao mercado tradicional de SAFs, onde geralmente prevalece concentração de capital em mãos de poucos investidores ou grupos internacionais. Com a Safiel, o Corinthians teria uma estrutura profissional de gestão financiada por uma base massiva de torcedores engajados.
Fonte: Uol.



