A Confederação Brasileira de Futebol criou um novo sistema para controlar as dívidas dos clubes brasileiros. A partir de 1º de janeiro de 2026, todos os times nacionais serão obrigados a registrar movimentações em plataforma privada. O objetivo é evitar contratações mesmo com dívidas acumuladas, com sanções imediatas pelo descumprimento.
O debate envolvendo o Fair Play Financeiro ganhou força com a implementação da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) no Brasil, obrigando a CBF a criar novas regras. A entidade definiu um padrão para concentrar informações de custos de elencos, endividamento, transações e outros movimentos em plataforma de fiscalização.
De acordo com o presidente da CBF, Samir Xaud, a fiscalização ocorrerá por meio do sistema Domestic Transfer Matching System (DTMS), que continuamente analisará dívidas entre clubes. O mecanismo é o mesmo adotado pela FIFA, servindo para gerenciar o registro e a transferência de jogadores. Além de pendências financeiras entre as instituições, o serviço monitorará contratos de atletas e dívidas com as instituições públicas.
O monitoramento será feito em três janelas anuais: 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro. Quando se tratar de endividamento de curto prazo, os clubes precisam controlar as finanças para que essa pendência não seja superior a 45% do seu faturamento anual.
De acordo com o decreto da confederação, aqueles que se encaixarem no requisito terão até 2030 (com ano contábil de 2029) para obedecer à regra. Em outras palavras, o período será limite para que a dívida de curto prazo seja enquadrada em até 45% do faturamento. Alguns clubes pediram extensão do prazo para uma década, pedido que não foi atendido pelos dirigentes.
Aplicação, sanções e motivações da Confederação
O regulamento será aplicado a partir da próxima temporada, com radar ligado em cima das instituições futebolísticas. O intuito do sistema é viabilizar a troca de informações entre clubes e CBF e dar transparência aos processos. Com o auxílio da plataforma conectada ao Transfer Matching System (TMS), será possível monitorar os pagamentos das contratações.
A medida foi implantada após vários times da Série A seguirem contratando mesmo com pendências antigas em evidência. O regulamento busca acabar com essa prática prejudicial.
Caso as medidas não sejam cumpridas, estão previstas sanções a serem aplicadas de forma gradual, para que os clubes consigam se adequar de forma equilibrada. Elas incluem:
- Advertência
- Multa
- Retenção de receita
- Transfer ban (bloqueio de transferências)
- Perda de pontos
- Rebaixamento
- Cassação de licenças
O sistema busca trazer equilíbrio: punições serão graduais para permitir a adaptação, mas firmes o suficiente para garantir o cumprimento das regras de Fair Play Financeiro.
Fonte: Correio do Estado.



