O rebaixamento à Série B pode reduzir em mais de R$ 120 milhões as receitas de transmissão do Internacional em 2027. Hoje, o clube recebe aproximadamente R$ 150 milhões pela permanência na elite do Campeonato Brasileiro. Na segunda divisão, esse valor cairia para cerca de R$ 24 milhões no melhor cenário projetado — uma diferença que ajuda a explicar por que a zona de rebaixamento virou, para o Colorado, um problema que vai muito além da tabela. Os números fazem parte de um levantamento publicado pelo jornalista Eduardo Gabardo, do GZH.
A disparidade fica ainda mais clara quando calculada mês a mês: a Série A gera ao clube cerca de R$ 12,5 milhões mensais em cotas de TV — o dinheiro que as emissoras pagam pelo direito de transmitir os jogos —, enquanto a Série B renderia apenas perto de R$ 2 milhões por mês. A cota de TV é a principal fonte de receita previsível de um clube de futebol: é o que entra em caixa independentemente de bilheteria, patrocínio ou venda de jogador, e é justamente o que sustenta o orçamento de uma temporada inteira. Perder mais de 80% dessa receita significa refazer todo o planejamento do ano seguinte.
O risco é concreto. Restam sete rodadas do Campeonato Brasileiro, e o Inter segue na zona de rebaixamento, com 32 pontos, após perder por 2 a 0 para o Mirassol. A conta do rebaixamento, porém, não se limita à televisão. Um eventual descenso afetaria também bilheteria, patrocínios, negociações de atletas e outras fontes de arrecadação — embora, neste momento, não existam números confirmados suficientes para calcular o impacto nessas áreas.
Por que o bloco comercial pesa na conta da Série B
Há um fator adicional que agrava o cenário e que diz respeito ao modelo de negociação coletiva dos direitos de transmissão. Com o rebaixamento, o clube não muda apenas de divisão: muda também o total que a Futebol Forte União — o bloco comercial do qual o Inter faz parte — negocia com as emissoras, porque o grupo passa a ter um time a menos disputando a elite. Com menos jogos de primeira divisão no pacote, o valor total do contrato cai, e por consequência o valor disponível para cada clube também despenca.
É essa engrenagem que explica a diferença entre os R$ 150 milhões da Série A e os R$ 24 milhões projetados para 2027 no melhor cenário: a queda reflete tanto a menor receita total da segunda divisão quanto a redistribuição dentro do próprio bloco. Na prática, o Inter enfrenta uma equação em que cada ponto perdido nas sete rodadas restantes vale muito mais do que a posição na tabela — vale a diferença entre operar com um dos maiores orçamentos do futebol brasileiro e precisar se reorganizar com uma fração das receitas de transmissão, num momento em que o clube também aparece entre os maiores endividados do país.
Fonte: Revista Colorada.



