O Vasco está próximo de sacramentar a venda da SAF para a Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia. Na última sexta-feira, os sócios do clube aprovaram a transação com mais de 90% dos votos. Agora, resta um parecer positivo da Anresf e do Cade — órgãos que fiscalizam um possível conflito de interesses com Leila Pereira — para que a mudança se torne definitiva.
Concluído o processo burocrático, Pedrinho deixa o comando da pasta do futebol, mas seguirá com influência no dia a dia do clube. Na prática, o presidente não terá mais a palavra final sobre a contratação de jogadores, a assinatura de contratos e as questões comerciais — responsabilidades que passarão a ser de quem comandar a SAF. O desenho, porém, não exclui o dirigente das decisões esportivas: ele continuará ocupando funções importantes nessa área, posição oposta à que viveu quando a 777 Partners estava no poder, período em que o presidente não se envolvia com o futebol.
A permanência de Pedrinho nesse papel foi explicada por Mário Junqueira durante a Assembleia Geral Extraordinária que aprovou a venda, na sexta-feira. “Nós temos o Pedrinho como um grande conselheiro e sócio. Porque o Vasco da Gama é sócio da SAF com 10%. E é um homem que entende muito de futebol. Então, ele vai ter uma participação ativa conosco no conselho da SAF, eventualmente, e também como um grande conselheiro para essas definições que vocês hoje me perguntam (contratações e investimentos), que ainda não estão determinadas, mas ele vai ter voz sim para nos ajudar nisso aí.”
Uma mudança de papel construída na crise da antiga SAF
A trajetória de Pedrinho no clube ajuda a entender o arranjo que se desenha. Ele próprio já afirmou, em algumas ocasiões, que chegou ao Vasco para “resolver as questões da obra de São Januário” — o estádio é responsabilidade do clube social, não da SAF — e para não se envolver com o futebol. Diante da instabilidade jurídica e esportiva da 777, porém, o presidente entrou na Justiça para tirar a antiga empresa do poder da SAF, o que o colocou no centro das decisões do departamento de futebol por necessidade e não por desenho original.
Agora, o cenário se inverte: com a entrada da Almirante, a estrutura volta a separar formalmente o que é do clube associativo e o que é da SAF, mas mantém Pedrinho em um papel de influência — como conselheiro e como sócio, já que o Vasco da Gama permanece dono de 10% da SAF. É uma posição intermediária, diferente das duas anteriores: nem o comando direto do futebol, como no período de transição após a saída da 777, nem o distanciamento total que marcou os anos da antiga gestão.
Funções específicas e organogramas ainda estão sendo detalhados e discutidos entre as partes. A tendência é que Admar Lopes, diretor de futebol, permaneça no cargo para 2027 — o que, se confirmado, indica continuidade do trabalho esportivo já em curso em vez de uma ruptura completa na área.
Para o torcedor, o ponto central é que a venda não afasta o presidente da tomada de decisão no futebol, apenas redefine o peso de cada voz. Quem responde juridicamente e comercialmente pela SAF passa a ser o controlador, enquanto o clube associativo — e o dirigente eleito por seus sócios — atua como conselheiro e fiscalizador de uma operação da qual ainda detém uma fatia minoritária mas relevante.
Fonte: ge.Globo.


