O Londrina está de volta à Série C do Campeonato Brasileiro apenas um ano depois de conquistar o acesso à segunda divisão. A derrota por 2 a 1 para o CRB, no último sábado (24), no Estádio Rei Pelé, em Maceió, confirmou matematicamente o rebaixamento da equipe paranaense com três rodadas de antecedência. O Tubarão se tornou o terceiro clube a ter o descenso confirmado nesta edição da Série B, juntando-se à Ponte Preta, lanterna da competição, e ao América-MG, penúltimo colocado.
A queda representa um revés para o projeto esportivo do Londrina, que se transformou em Sociedade Anônima do Futebol em 2024, após a aquisição pelo grupo Squadra Sports. É o primeiro rebaixamento do clube desde a mudança no modelo de gestão — um dado que ganha peso justamente porque a SAF foi apresentada, na origem, como instrumento de reorganização e de ganho de competitividade.
25 rodadas na zona e três treinadores na temporada
A derrota para o CRB encerrou uma luta pela permanência que já estava próxima de ser perdida. O Londrina iniciou a 35ª rodada na 18ª posição, com 32 pontos, 11 a menos que Ceará e Náutico, os primeiros clubes fora da zona de rebaixamento. Para continuar com chances de escapar, a equipe precisava vencer os quatro compromissos restantes e torcer por uma combinação de resultados dos concorrentes diretos. Antes da partida em Maceió, a probabilidade estimada de rebaixamento já era superior a 99%.
Das 35 rodadas disputadas até a confirmação da queda, o Londrina passou 25 entre os quatro últimos colocados. O time chegou a reagir na reta final do primeiro turno e deixou momentaneamente a zona de rebaixamento, mas voltou ao Z4 nas primeiras rodadas do returno e não conseguiu mais sair. Ao longo da competição, acumulou oito vitórias, oito empates e 19 derrotas — números que explicam o desfecho sem necessidade de interpretação adicional. Pelo comando da equipe passaram três treinadores; Micale estreou na nona rodada e permaneceu até a 32ª, somando em 24 partidas seis vitórias, cinco empates e 13 derrotas.
Clube pede desculpas e defende continuidade do projeto
No domingo (25), um dia após a confirmação do rebaixamento, o Londrina publicou uma carta direcionada aos torcedores, parceiros e demais pessoas ligadas ao clube. No comunicado, a diretoria reconheceu a frustração pela queda e pediu desculpas pelo desempenho da equipe. “Antes de tudo, lamentamos profundamente não termos alcançado o nosso principal objetivo do ano: a permanência no Campeonato Brasileiro da Série B”, afirmou o clube. A mensagem também destacou a responsabilidade da instituição diante da torcida: “Sabemos da frustração que o rebaixamento traz, especialmente para a nossa torcida, que carrega o Londrina no coração”.
Apesar da queda, a direção defendeu a continuidade do projeto esportivo e administrativo iniciado com a SAF. “Por isso, pedimos desculpas por estarmos vivenciando este momento. Temos consciência da nossa responsabilidade e do compromisso de trabalhar para voltar mais fortes, honrando a paixão da nossa torcida e a história do Londrina Esporte Clube”, prosseguiu o comunicado. “Nosso projeto está apenas no começo, e acreditamos que o futebol brasileiro, no médio prazo, premiará os projetos que preservarem a responsabilidade, o planejamento e a seriedade.” O clube prometeu ainda usar a próxima temporada para reorganizar o trabalho: “Seguiremos firmes nesse propósito, trabalhando diariamente para fortalecer cada vez mais o nosso clube. Faremos de 2027 uma nova etapa, com o compromisso de reconstruir e evoluir”.
O rebaixamento encerra de forma negativa uma temporada que começou com expectativas de consolidação na Série B. No Campeonato Paranaense, o Tubarão chegou à decisão, mas terminou com o vice-campeonato após perder para o Operário-PR nos pênaltis. Na prática, o clube vive o cenário inverso do que projetou: em vez de consolidar a permanência na segunda divisão, precisará reconstruir a campanha a partir da terceira — divisão em que receita, calendário e visibilidade são menores, e onde a margem de erro para um projeto de SAF é mais estreita.
Fonte: A Tarde.


