O Grêmio reconheceu uma dívida com a Thinkball por intermediação na contratação do lateral Lucas Esteves — que chegou ao clube no começo do ano passado, vindo do Vitória — e firmou um acordo para encerrar a cobrança depois de sofrer um pedido de bloqueio de sua premiação na Copa do Brasil. O valor pendente era de R$ 626.996,13, resquício de um acordo original de R$ 1.312.266,67 que não foi pago integralmente pelo clube gaúcho. A empresa ingressou na Justiça do Rio Grande do Sul para cobrar o restante. Quando um clube acumula esse tipo de pendência com empresários, o caso pode terminar em bloqueio de receitas — e foi exatamente o que a Thinkball tentou fazer, apontando para o dinheiro que o Tricolor tem a receber da competição nacional.
Da tentativa de penhora de um terreno ao bloqueio do prêmio
Antes de mirar a premiação, a empresa tentou receber por outra via. Em resposta à cobrança, o Grêmio alegou dificuldade em penhorar um terreno na Ilha Grande dos Marinheiros, avaliado em R$ 5,670 milhões conforme a matrícula — a penhora é justamente a medida judicial que retém um bem do devedor para garantir o pagamento. A Thinkball rejeitou a oferta, classificando o imóvel como “inidôneo e imprestável”, e chamou sua avaliação de “unilateral e suspeita”. Foi então que o agente passou a tentar penhorar os direitos do Grêmio sobre a premiação da Copa do Brasil de 2026, competição em que o clube está atualmente na semifinal. Por avançar a essa etapa, o Grêmio recebeu R$ 9 milhões, fora o que já havia embolsado nas fases anteriores — ou seja, o valor que os empresários pretendiam alcançar era consideravelmente maior do que a própria dívida.
Diante da cobrança, o Grêmio ofereceu pagar 30% da dívida para evitar o bloqueio, conforme determina a lei. Assim, o clube depositou R$ 189.491 para encerrar o imbróglio e vai quitar o restante em cinco parcelas. Na prática, o desfecho preserva o fluxo de caixa da competição em um momento decisivo da temporada: o Grêmio segue na semifinal da Copa do Brasil e, com o acordo, mantém o direito de receber integralmente o que ainda tem a receber da competição. O episódio também expõe a mecânica comum a esse tipo de cobrança no futebol brasileiro — a Justiça pode bloquear receitas de premiação, cotas de televisão e outros créditos do clube para garantir o pagamento de dívidas com empresários, o que costuma acelerar negociações que se arrastam na esfera administrativa.
Um histórico que começou no Vitória
A origem da dívida remonta à chegada do lateral ao Rio Grande do Sul. Lucas Esteves chegou ao Grêmio após uma briga judicial com o Vitória: na ocasião, o clube gaúcho pagou R$ 5,9 milhões referentes à multa contratual do jogador de 24 anos, mas o time rubro-negro devolveu o valor após usar uma cláusula que permitia a renovação automática. O atleta recorreu à Justiça para deixar a equipe baiana. É dessa operação — e da intermediação envolvida nela — que nasceu a cobrança da Thinkball, agora equacionada em cinco parcelas.
Fonte: ESPN.



