O presidente executivo do Santa Cruz, Bruno Rodrigues, visitou a Folha de Pernambuco na manhã desta quinta-feira (24) e detalhou os principais assuntos do momento coral — em especial, o processo de formalização da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o modelo empresarial que separa a gestão do futebol da estrutura associativa do clube, e a briga pelo acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. O dirigente coral foi recebido pela vice-presidente da Folha de Pernambuco, Mariana Costa; pelo diretor-executivo Paulo Pugliesi; pelo diretor operacional José Américo Lopes Góis; pela editora-chefe Leusa Santos; e pela gerente de mercado, Tânia Campos.
Líder do processo de formalização da SAF tricolor, Bruno Rodrigues projetou o fim das tratativas até o fim de outubro, com um aporte no valor de R$ 6 milhões por parte dos investidores para quitar todos os débitos atuais do clube. “Vamos pagar o nosso débito, que vamos aprovar essa Recuperação Judicial no final de outubro, com menos de R$ 60 milhões”, afirmou o dirigente. A assinatura da primeira proposta da SAF no Santa Cruz foi em janeiro de 2025 e, mesmo com a mudança do grupo de investimento, a geração de R$ 1 bilhão em 15 anos para o futebol segue como parte crucial do contrato. Agora, o projeto caminha ao lado da Matix Capital e do investidor e CEO Thairo Arruda, ex-Botafogo.
Sobre o modelo negociado, o presidente destacou o respaldo dos novos investidores. “O modelo tem duas coisas importantes. Primeiro, a valorização do tamanho do clube, da torcida, do valor de mercado que temos. Sem isso não teríamos chegado nesse patamar de valores e de investimento. Lembrando que fechamos o acordo ainda na Série D”, começou. “Segundo, o conhecimento sobre esse mercado de SAF. Os investidores internacionais estão sendo captados com muita expertise. A experiência, o lastro e musculatura desse pessoal que está chegando é grande, de pessoas que venceram a Série A e a Libertadores há dois anos”, concluiu.

Orçamentos projetados e o retorno do Arruda
Caso o acesso à Série B seja confirmado, o orçamento mínimo para o futebol em 2027 será de R$ 52 milhões; na hipótese de ir mais longe, à Série A, o montante sobe para R$ 100 milhões. Se o clube permanecer na Série C, o valor previsto é de R$ 36 milhões.
O plano também envolve o principal patrimônio imobiliário do Santa Cruz: o estádio do Arruda, que não recebe jogos com público desde julho de 2025, deverá voltar a receber partidas ainda este ano — ainda que o fim da Série C seja disputado na Arena de Pernambuco. A expectativa é que a casa coral tenha capacidade para receber entre 25 mil e 30 mil torcedores. Assim que a SAF entrar em vigor, por contrato, os investidores devem aportar R$ 10 milhões em reformas já no primeiro ano. O Arruda será cedido em comodato — uma espécie de empréstimo de uso — aos investidores, e o planejamento é concluir um processo de retrofit, modernizando o imóvel para que ele gere receitas até em dias fora de jogo. “A ideia é fazer uma arena para 60 mil pessoas, modernizar a estrutura, com restaurantes e escritórios. Vai ser algo que vai remunerar bem”, planejou o presidente.
Com a SAF assumindo 95% do futebol tricolor — incluindo o profissional, a base e o futsal no controle dos investidores —, a associação cuidará dos demais aspectos, como a sede social e outros esportes. Nesse contexto, Bruno Rodrigues revelou que uma diretoria de esportes olímpicos será criada para reconstruir a presença do Tricolor em outras modalidades. “Recentemente reformamos a nossa quadra e pretendo trazer patrocinadores e parceiros para levantar modalidades como vôlei, basquete, handebol, entre outros”, disse.
Fonte: Folha de Pernambuco.


