O Vasco avançou nos trâmites para vender 90% da SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Contudo, o clube ainda planeja obter um novo empréstimo antes da venda. Nesta quinta-feira (13), segundo o jornalista Diogo Dantas, do jornal O Globo, o clube pediu à Justiça a autorização para receber o dinheiro. A diretoria cruz-maltina quer um aporte de até R$ 150 milhões da Almirante Participações e Empreendimentos S.A. para contratações e melhorias no CT. A empresa pertence a Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, fundador do Banco Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Ele é apontado como o favorito para comprar a SAF.
Na petição, a Vasco SAF e o CRVG recorreram ao juízo da recuperação judicial requerendo a liberação de R$ 150 milhões na modalidade DIP financing, sob o argumento de que, entre receitas e despesas até o fim do ano, poderá haver um déficit de R$ 300 milhões. Segundo a reportagem do Globo, o Vasco afirma estar diante da possibilidade de um colapso financeiro, com duração de só 7 dias de caixa. Em julho, o Vasco já havia recebido um empréstimo de R$ 40 milhões da mesma empresa, recurso que agora a diretoria busca ampliar para atravessar o período de transição até a conclusão definitiva da venda.
O primeiro aval para a SAF e os próximos passos
O advogado Athos Neves, nomeado pela Justiça como watchdog da gestão vascaína, emitiu parecer favorável à negociação. O watchdog é o agente responsável por fiscalizar as finanças e a governança do clube, e Athos Neves foi indicado ao cargo em consenso entre o Vasco e a Justiça, por ser considerado elemento neutro. O documento foi divulgado nos autos do processo judicial.
A decisão, porém, não encerra o processo de aprovação da venda. O Vasco ainda necessita de autorização do administrador judicial, o escritório Gussem e Lemos Basto Advogados, além de manifestações favoráveis do Ministério Público e da juíza responsável pelo caso. Cumpridas essas etapas, o clube poderá abrir concorrência formal para a venda dos 90% da SAF. A legislação impede a transferência direta a Lamacchia antes desse procedimento. O empresário, no entanto, possui cláusulas de preferência que lhe garantem o direito de cobrir qualquer proposta concorrente recebida pelo clube.



