A União Recreativa dos Trabalhadores (URT), de Patos de Minas, aprovou nesta sexta-feira (28) a venda de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a Tera Participações e Investimentos Ltda. O evento aconteceu no salão do Gálatas Hotel, em Patos de Minas, com a presença de diretores, empresa parceira, conselheiros, sócios que formam a Assembleia Geral, torcedores e imprensa. A proposta foi apresentada aos conselheiros e associados em reuniões realizadas ao longo da noite, e a negociação prevê um investimento mínimo de R$ 90 milhões ao longo de 20 anos, com aplicação mínima anual de R$ 4,5 milhões. Os recursos deverão ser destinados à estrutura do clube, contratação de atletas e profissionais, logística e pagamento de débitos, entre outras despesas relacionadas ao futebol.
Antes da aprovação, a proposta foi apresentada pelo investidor ao Conselho Deliberativo da URT. Segundo a presidente do Conselho Deliberativo, Márcia da Fonseca Melo, os conselheiros tiveram um momento para analisar os termos antes da votação. “Nós tivemos duas reuniões, uma às 18h com a apresentação da proposta ao Conselho Deliberativo. A proposta foi apresentada pelo investidor. Logo na sequência, a gente teve um momento de apreciação pelo Conselho, pelos conselheiros, e terminando a análise, fizemos a votação”, explicou Márcia. Na sequência, às 20h, a proposta foi levada à Assembleia Geral de Sócios, que também realizou a análise e votação. Tanto no Conselho como na Assembleia, a votação foi unânime para a venda da SAF.
SAF como saída e a relação do investidor com o clube
O presidente da URT, Igor Ricardo Linhares Cunha, afirmou que a expectativa da diretoria era pela aprovação da proposta e comentou sobre as dificuldades enfrentadas pelo clube nos últimos anos. “Esse modelo associativo foi muito desgastante nesses últimos três anos. A gente pegou a URT em 2024 bem decadente, com mais de R$ 10 milhões de dívidas, com o estádio sucateado”, disse o presidente. Segundo Igor, a atual gestão conseguiu recuperar parte da estrutura do estádio, aumentar o número de sócios-torcedores e reduzir o passivo do clube. “A gente reformou mais de 80% do estádio. Hoje a gente pode falar que a dívida da URT quase que não existe, pelo valor que ela era.”
Igor afirmou ainda que a escolha do parceiro levou em consideração a relação que o investidor já mantinha com o clube. “Ele é torcedor da URT, ele tem um camarote exclusivo no estádio. Ele é patrocinador master da URT. É um cara que acompanha o dia a dia e tem amor pelo clube.” Para o presidente, a proposta representa a possibilidade de dar maior estabilidade financeira ao futebol. “A gente entende que é uma proposta bacana. Uma proposta com um valor que dá para a gente poder fazer uma URT grande. E o projeto é grande. É um projeto muito sólido, muito transparente.”

Igor explicou que a intenção é trabalhar com planejamento orçamentário, estabelecendo limites para gastos com elenco, comissão técnica e demais áreas. De acordo com ele, a principal vantagem será a previsibilidade financeira para manter salários e fornecedores em dia e ampliar os investimentos em estrutura e centro de treinamento — a Vila Olímpica da URT está prevista para ser destinada à implantação de um centro de treinamento ligado à SAF do clube.
Proteções para a identidade do clube
Com a venda de 90% das ações, o investidor passa a deter o controle administrativo do futebol da SAF, enquanto a associação permanece com mecanismos de participação e proteção previstos na proposta. A URT terá direito a uma cadeira no Conselho de Administração e outra no Conselho Fiscal da SAF, além de preferência para comprar cotas caso o investidor decida vender parte de sua participação. A proposta também estabelece que não poderão ser alterados o nome da SAF, o nome do estádio e a sede.
Com a aprovação pelos órgãos do clube, a operação avança para a formalização jurídica, incluindo auditoria, due diligence, eventual acordo de acionistas e alterações estatutárias.
Fonte: Paranaíba Mais; Clube Notícia.



