A SAF Botafogo elaborou uma segunda versão do plano de recuperação judicial, cerca de um mês após a primeira. Na nova versão, uma atualização no conceito de “partes isentas” excluiu a proteção prévia à Eagle Bidco, rede multiclubes criada por John Textor.
No plano original, datado de 10 de julho, as “partes isentas” eram descritas como “as Recuperandas, sua controlada, seus acionistas na Data da Homologação, diretores conselheiros, funcionários, advogados, assessores, agentes, mandatários e representantes atuais”. O artigo 5.9 deste plano anterior citava a “isenção de responsabilidade e partes isentas”, afirmando que os credores conferiam “a mais ampla, rasa e irretratável quitação” — na prática, uma forma de evitar que credores fizessem cobranças voltadas aos antigos acionistas, resguardando a gestão no Botafogo. No novo texto, datado de 15 de agosto, houve uma atualização no conceito, excluindo “qualquer acionista que se qualifique como Parte Relacionada ou seja membro do mesmo grupo econômico de uma Parte Relacionada”.

A proposta alterada ainda terá de passar pelo crivo de todos os envolvidos no processo: Ministério Público, juiz, administrador judicial e os credores da SAF Botafogo. Nada impede que o plano sofra novas alterações antes da Assembleia Geral de Credores (AGC). Na atualização, a SAF Botafogo também cita a transferência de um total de 146 milhões de euros (cerca de R$ 878,6 milhões) ao Lyon, que já foi clube do grupo. O clube argumenta que as transações, entre março de 2024 e abril de 2025, ocorreram em meio ao então sistema de caixa único utilizado na rede multiclubes criada por John Textor.
O artigo 3.3.3 também exclui empréstimos previamente autorizados da deliberação dos credores. Tais dívidas permanecerão fora do plano de recuperação judicial, impedindo que os financiadores — como a GDA Luma, nova investidora — percam a prioridade de ressarcimento e entrem na fila com outros credores. O escritório Marcello Macêdo Advogados e a Preserva-Ação Administração Judicial são os administradores judiciais do processo de recuperação judicial.
Fonte: ge.Globo.



