A reforma tributária aprovada recentemente tende a funcionar como um empurrão financeiro para que clubes brasileiros adotem o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A nova legislação cria uma desvantagem competitiva significativa para as associações civis tradicionais, que passarão a pagar uma carga tributária proporcionalmente maior do que as empresas de futebol.
A diferença tributária que pressiona o caixa
Com a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), os clubes que permanecerem no modelo associativo passarão a recolher cerca de 11% sobre suas receitas, além das contribuições do INSS.
Em contrapartida, as SAFs terão acesso a um regime tributário simplificado, com uma alíquota fixa de 6% sobre todas as receitas — incluindo as transferências de atletas, que representam uma das principais fontes de capital para os clubes brasileiros.
Essa diferença de 5 pontos percentuais na tributação cria uma pressão financeira direta sobre o caixa das associações, especialmente em um cenário onde a margem de lucro já é apertada e a competitividade no mercado de jogadores é intensa.
Migração para SAF não significa necessariamente venda do controle
É importante destacar que a migração para o modelo SAF não implica, obrigatoriamente, a venda do controle do clube a investidores externos. A transformação em sociedade anônima pode ser feita mantendo a propriedade majoritária nas mãos da associação original ou de seus sócios.
O que a reforma tributária faz é tornar financeiramente inviável a manutenção do modelo associativo tradicional em um cenário de alta competitividade. Clubes que optarem por permanecer como associações estarão em desvantagem estrutural para reinvestir em seus elencos, infraestrutura e desenvolvimento, já que uma fatia maior de suas receitas será destinada ao pagamento de tributos.
O futuro do futebol brasileiro: mais profissionalização, menos associações
A tendência é que, nos próximos anos, um número crescente de clubes passe a adotar o modelo SAF como uma questão de sobrevivência financeira. A reforma tributária atua como um catalisador dessa mudança, acelerando um movimento que já vinha ganhando força no futebol brasileiro.
Para os torcedores, isso significa que seus clubes provavelmente terão que se adaptar a uma gestão mais empresarial e profissionalizada, com maior transparência e foco em resultados. Para os dirigentes, o desafio será equilibrar a necessidade de modernização com a preservação da identidade e da cultura do clube.



