O processo de transição do Paraná Clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) atingiu um estágio fundamental nesta semana. Em reunião realizada na última segunda-feira (15), os sócios da NextPlay, empresa que conduz a transição do departamento de futebol, apresentaram esclarecimentos detalhados aos membros do Conselho Deliberativo. O encontro serviu para sanar dúvidas críticas sobre o contrato de venda, especialmente após o Comitê da SAF ter manifestado resistências iniciais à proposta e sugerido alterações no texto.
Durante a sessão, os representantes da investidora responderam a questionamentos sobre as garantias de cumprimento do acordo, as regras para uma eventual venda futura de cotas e a estratégia para a aquisição definitiva do terreno da Vila Capanema, que atualmente pertence à União. A transparência nas respostas buscou dissipar a insegurança de parte do conselho e de torcedores, que veem na SAF a principal via para a recuperação institucional do Tricolor. Com o encerramento desta etapa de esclarecimentos, a expectativa interna é de que a proposta seja submetida a voto e aprovada na próxima reunião do colegiado, marcada para o dia 22 de junho.

Regularização fiscal e homologação da Recuperação Judicial
Para que a venda seja formalmente concluída, o Paraná Clube depende da emissão da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa da Fazenda Nacional. Este documento é o comprovante de que o clube está em dia com suas obrigações tributárias federais ou possui acordos de parcelamento ativos. A obtenção da certidão está atrelada à finalização de uma transação tributária com o governo federal e ao pagamento de uma parcela inicial de R$ 3 milhões, montante que deverá ser aportado pela NextPlay.
A Justiça estabeleceu um prazo de 90 dias para a apresentação deste documento. Somente após essa regularização fiscal é que a juíza titular da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba poderá homologar o plano de Recuperação Judicial (RJ) aprovado pelos credores. Um ponto central para o sucesso desta operação foi o acordo firmado com o Banco Genial, principal investidor da NextPlay. A instituição financeira se comprometeu a pagar R$ 60 milhões pela Sede da Kennedy, valor que será integralmente destinado à quitação de dívidas com os credores da RJ, que aceitaram reduzir suas pretensões iniciais para garantir o recebimento dos valores.
Plano de investimentos e modernização da infraestrutura
Enquanto os trâmites burocráticos avançam, a NextPlay já atua na gestão operacional do clube. A empresa foi a responsável pela montagem do elenco e da comissão técnica que garantiu o retorno do Paraná Clube à elite do futebol estadual nesta temporada. Além do desempenho em campo, houve investimentos na modernização da Vila Olímpica do Boqueirão, que foi convertida em um centro de treinamentos para o time profissional e voltou a ter condições de receber partidas oficiais.
O contrato de venda da SAF estabelece compromissos financeiros robustos para os próximos anos. Além de R$ 42 milhões destinados ao pagamento de dívidas com a Receita Federal e o Banco Central, o plano prevê R$ 10 milhões para a construção de um centro de treinamento próprio e R$ 60 milhões para melhorias na Vila Capanema. O investimento no departamento de futebol também seguirá uma escala progressiva conforme o desempenho esportivo: o orçamento anual está fixado em R$ 10 milhões para períodos sem divisão nacional, subindo para R$ 21,9 milhões na Série D, R$ 28 milhões na Série C, R$ 46,8 milhões na Série B e atingindo R$ 85 milhões caso o clube retorne à Série A do Campeonato Brasileiro.
Fonte: UmDois Esportes.



