O Catanduva Futebol Clube, da terceira divisão do Campeonato Paulista, está à venda. O preço inicial estipulado pelo dono da SAF, o padre Osvaldo de Oliveira Rosa, é de R$ 1,5 milhão — valor que pode chegar a R$ 2 milhões conforme a negociação. O sacerdote é fundador e detentor de 90% das ações da sociedade que administra o time da cidade do interior paulista, a cerca de 400 quilômetros da capital.
A explicação para a venda está na agenda. Padre Osvaldo acumula três funções: as obrigações religiosas, o comando do Executivo municipal de uma cidade de quase 120 mil habitantes e a gestão do clube. É a dificuldade de conciliar as três rotinas, segundo ele, que motivou a busca por novos investidores. No dia a dia do clube, ele conta com a ajuda do irmão, o também padre Ernesto. Sem nenhum grande investidor, as finanças do Catanduva são custeadas pelo próprio padre Osvaldo e por patrocinadores locais.
O interesse do mercado já existe. O padre afirma ter recebido seis propostas pela SAF, com preços pedidos entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões — e duas delas são internacionais. “Recebemos diversas sondagens de investidores neste ano, inclusive da Colômbia, dos Estados Unidos e de diferentes regiões do Brasil. O clube está aberto a negociações, mas, até o momento, não há nenhuma venda definida”, disse.

Um clube sem estádio próprio, vizinho de Mirassol e Novorizontino
O valor pedido tem uma justificativa estrutural: o Catanduva não possui estádio próprio e manda seus jogos no Silvio Salles, praça esportiva que pertence à prefeitura. Ou seja, o comprador adquire a SAF e o projeto, mas não um patrimônio imobiliário — o que explica por que a faixa de preço fica muito abaixo das operações de SAF que movimentam clubes maiores.
A localização, por outro lado, é um ativo. Catanduva fica na região de São José do Rio Preto, “vizinha” de duas cidades que abrigam times em ascensão no futebol paulista: Mirassol e Novo Horizonte, sede do Novorizontino. É uma região que já provou ser capaz de sustentar projetos de futebol competitivos, o que pode pesar na avaliação dos interessados.
Mesmo que a venda não seja concretizada até o fim do ano, o dono de 90% da SAF confirma que o clube está garantido na disputa da Série A3 do Campeonato Paulista, cujo Congresso Técnico ocorre nos próximos dias. Ou seja: a negociação corre em paralelo ao planejamento esportivo, sem que o time fique parado aguardando um comprador.


