Brian York, empresário norte-americano do Massachusetts, atravessou o Atlântico para comprar um clube em Portugal — e fez questão de documentar tudo pelo Instagram, contando as peripécias em vídeos de 30 segundos. O destino escolhido foi a Associação Desportiva Bobadelense, dos arredores de Lisboa, que disputa o sexto escalão do futebol português.
A origem da história tem um detalhe curioso: York reparou que os pais das crianças que jogavam com seus filhos em Massachusetts eram obcecados por Portugal. Representando um fundo de investimento, ele visitou clubes das divisões secundárias do país até encontrar o Bobadelense. O investimento foi feito através da Mass Rising, empresa focada na aquisição e no investimento em clubes de futebol europeus, e ele se tornou o primeiro investidor do clube em mais de 50 anos.
O valor em jogo é de 2,5 milhões de euros para gastar. Em maio, a assembleia geral do clube aprovou a criação de uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD) para a equipe sênior masculina, com York como parceiro estratégico — um passo classificado pela direção como “marco histórico e estratégico”. Os termos financeiros não foram divulgados oficialmente.
“Queremos ser rentáveis a longo prazo”
A meta declarada não é a glória imediata, mas a sustentabilidade. Em entrevista ao portal zerozero, York afirmou que o objetivo é tornar o clube rentável a longo prazo. Em publicação recente nas redes, ele detalhou a lógica do negócio: “Quando adquirimos a AD Bobadelense, não estávamos comprando um negócio pronto para operar exatamente como existia. Estamos tentando construir algo muito maior. Isso significa investir na equipe, no staff, no recrutamento, na infraestrutura comercial, na tecnologia, na exposição internacional e em novas fontes de receita.”

O empresário também revelou que investidores já questionam a estrutura financeira do projeto. “Um investidor recentemente me perguntou sobre o consumo de caixa e o prazo de sustentação do nosso clube português — e se os requisitos de financiamento são separados do capital para futuras aquisições”, escreveu. A pergunta indica que o Bobadelense pode ser o primeiro passo de uma estratégia maior: o perfil de York no Instagram já menciona um segundo investimento, na Itália.
A documentação pública da aventura não é acidental. York utilizou-se do poder do algoritmo do Instagram para dar visibilidade ao projeto em Portugal, com centenas de vídeos publicados — o mesmo método que usou antes, quando registrou por quase mil dias a rotina de treino para tentar chegar aos 400 metros dos Jogos Olímpicos. Para um clube de divisão distrital, sem receita de televisão e com público restrito, essa exposição funciona como marketing gratuito: cada vídeo transforma um investimento local em conteúdo com alcance internacional.
O caso ilustra um movimento que se intensifica no futebol europeu. Investidores americanos já compraram participações em clubes de elite — e, agora, começam a descer a pirâmide. Um clube do sexto escalão custa uma fração do que custa uma equipe profissional, mas oferece o mesmo ativo fundamental: a licença, a história e o lugar na estrutura das competições. Se o plano de rentabilidade funcionar, o retorno vem pela valorização do clube ao subir de divisão — e não pela venda de ingressos em um estádio pequeno.
Fonte: Tribuna Expresso; Zero Zero.


