O Operário-PR protocolou junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma proposta de recompra dos direitos econômicos à Sports Media Entertainment (SME), investidora da Futebol Forte União (FFU), no valor de R$ 2.213.747,00. A intenção do clube paranaense é recuperar integralmente os 10% dos direitos que ainda pertencem à empresa. No documento, o Operário argumenta que a avaliação interna da operação foi iniciada em março. Em junho, o clube formalizou a decisão da recompra à FFU, ao Condomínio Forte União (CFU) e à Sports Media e solicitou o valor, mas não obteve resposta. Na metade de agosto, enviou nova notificação ao CFU e ao presidente do Comitê Condominial, Giovane Zanardo dos Santos, CEO do Internacional, cobrando retorno.
A devolutiva, assinada por Gabriel Lima, atual administrador do CFU, argumenta que “a Convenção não prevê ou admite mecanismo de recompra” e que não “atribui à Administradora qualquer competência ou responsabilidade para reconhecer, calcular ou” — o trecho indica a posição do condomínio de que o instrumento jurídico que rege a relação não contempla esse tipo de operação. Com isso, o Operário calculou por conta própria o valor da recompra: o preço recebido pelo clube, acrescido de juros a 100% da taxa CDI mais 4% ao ano, calculados proporcionalmente entre a data de cada desembolso feito pela Sports Media e a data do efetivo pagamento, chegando ao total de mais de R$ 2,2 milhões.
Saída da liga e a resposta da investidora
Apesar de o documento protocolado pelo Operário-PR afirmar que não há intenção em deixar a liga — citando exemplos de Corinthians e Botafogo, que não negociaram percentual de seus direitos econômicos ao investidor —, o presidente do grupo gestor do clube paranaense, Álvaro Góes, admitiu avaliar a possibilidade, em contato com o ge. De acordo com o dirigente, o clube se sente prejudicado com o acordo, pois teria recebido valor inferior aos outros times da Série B do Campeonato Brasileiro. Ele ainda se mostrou apto a renegociar os direitos, desde que seja vantajoso ao Operário.
Em nota enviada ao ge, a SME avalia que a proposta de recompra apresentada pelo Operário ao Cade produz efeitos que ultrapassam a relação entre clube e investidor: o clube diz que pretende recomprar os 10% atualmente detidos pela empresa e, ao mesmo tempo, permanecer no Condomínio Forte União e seguir participando da comercialização conjunta dos direitos. Segundo a investidora, uma alteração dessa natureza repercute sobre uma estrutura coletiva que reúne 31 clubes de futebol associados ao FFU e membros do CFU, investidores, e envolve regras comuns de governança, obrigações e exploração comercial — por isso, seus efeitos precisam ser considerados em relação ao conjunto do condomínio e aos demais participantes. A empresa também entende que grande parte da discussão levada pelo Operário ao Cade envolve interpretação dos contratos, definição de preço e execução dos instrumentos privados que regem o CFU. Na avaliação da SME, questões dessa natureza devem seguir os mecanismos previstos nos próprios instrumentos jurídicos, enquanto a análise do Cade deve permanecer concentrada nos aspectos concorrenciais da estrutura submetida ao órgão.
Veja a nota na íntegra
A Sports Media Entertainment (SME) avalia que a proposta de recompra apresentada pelo Operário ao Cade produz efeitos que ultrapassam a relação entre clube e investidor. O Operário diz que pretende recomprar os 10% atualmente detidos pela SME e, ao mesmo tempo, permanecer no Condomínio Forte União (CFU) e seguir participando da comercialização conjunta dos direitos.
Segundo a SME, uma alteração dessa natureza repercute sobre uma estrutura coletiva que reúne 31 clubes de futebol associados ao FFU e membros da CFU, investidores e envolve regras comuns de governança, obrigações e exploração comercial. Por isso, seus efeitos precisam ser considerados em relação ao conjunto do condomínio e aos demais participantes. Sendo assim, a SME estranha o fato de o clube ter enviado a proposta para o Cade e não para os seus sócios.
A empresa também entende que grande parte da discussão levada pelo Operário ao Cade envolve interpretação dos contratos, definição de preço e execução dos instrumentos privados que regem o CFU. Na avaliação da SME, questões dessa natureza devem seguir os mecanismos previstos nos próprios instrumentos jurídicos, enquanto a análise do Cade deve permanecer concentrada nos aspectos concorrenciais da estrutura submetida ao órgão.
Fonte: ge.Globo.



