Este conteúdo é baseado num artigo que reflete a opinião de Romulo Macedo, mestre em Gestão da Experiência do Consumidor e especialista em Gestão Esportiva, produzido originalmente para a Máquina do Esporte. A Sou SAF considerou o assunto muito relevante para compartilhar com nossos leitores, dada a importância do tema para o futuro das sociedades anônimas no futebol brasileiro.
A transformação dos clubes brasileiros em Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) trouxe modernização e recursos, mas também riscos inéditos, como a possibilidade de falência por decisões empresariais equivocadas. Nesse contexto, incluir o torcedor na governança corporativa surge como uma medida estratégica de proteção, não apenas simbólica, mas essencial para garantir a sustentabilidade e preservar a identidade dos clubes, muitas vezes centenários.
Experiências internacionais como modelo
Modelos globais comprovados mostram caminhos práticos para integrar a voz da torcida nas decisões. Entre eles:
- Conselhos consultivos de torcedores (Fan Advisory Boards): Implementados pelo Seattle Sounders (MLS) e aprimorados na Premier League, esses fóruns eleitos democraticamente permitem diálogo estruturado sobre estratégia de longo prazo, planos comerciais e operações em dias de jogos, atuando como freios contra decisões unilaterais.
- Oficial de ligação com o torcedor (Supporter Liaison Officer – SLO): Obrigatório pela Uefa para clubes de suas competições, esse profissional age como ponte permanente entre diretoria e torcida, assegurando fluxo bidirecional de informações e prevenindo crises de comunicação.
- Associações de torcedores (Supporters’ Trusts): Originárias da Inglaterra nos anos 1990, essas organizações independentes já salvaram clubes de falências, expuseram acordos obscuros e bloquearam vendas prejudiciais, defendendo identidade, tradições e transparência.
- Regulamentação externa com veto democrático: O projeto britânico cria um órgão regulador independente que exige consultas obrigatórias à torcida antes de decisões críticas, como aumentos de ingressos ou mudanças na identidade do clube.
Por que o torcedor é fundamental na SAF
A profissionalização via SAFs é irreversível, mas os riscos de más gestões ou interesses comerciais excessivos são reais. A voz organizada da torcida representa a principal salvaguarda contra a descaracterização, colapsos financeiros e erosão da essência clubística. Experiências brasileiras recentes reforçam essa necessidade, com crises que poderiam ter sido mitigadas por maior participação torcedora.
Clubes, CBF e governo devem olhar para esses modelos internacionais. A criação de associações com poder real, conselhos consultivos em diretorias e regulamentação federal com o torcedor no centro não são opcionais — são condições para preservar a alma dos clubes, equilibrando profissionalização com tradição.
Confira o artigo de Romulo Macedo na íntegra em: Máquina do Esporte.



