O Clube Atlético Juventus formalizou, nesta sexta-feira (24/10), a assinatura do acordo e do contrato de constituição de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O movimento marca o encerramento de um processo iniciado há quatro meses, quando 83,85% dos sócios aprovaram a proposta da Contea Capital pela compra de 90% do clube, com investimento total de R$ 480 milhões a ser distribuído ao longo de dez anos. A instituição centenária da Mooca, em São Paulo, apresenta um cronograma ambicioso que projeta o retorno à elite paulista em 2027 e a chegada à Série A em 2035, além de modernização do estádio Conde Rodolfo Crespi, a Rua Javari.
A formalização e o modelo de investimento
A assinatura do contrato foi realizada por Tadeu Deradeli, presidente do Conselho de Administração, e Carlos Eduardo Pedroso, presidente do Conselho Deliberativo. Segundo comunicado oficial do clube, a transformação em SAF “permitirá novos investimentos, reestruturação esportiva, valorização das categorias de base, modernização do clube e ampliação do protagonismo juventino no cenário nacional”.
O modelo de investimento prevê um aporte inicial de R$ 20 milhões, já destinado à montagem do elenco para a próxima temporada, seguido de desembolsos distribuídos ao longo de uma década. A Contea Capital, que havia sido apresentada inicialmente em parceria com a REAG Capital Holding, será a única responsável pela execução do projeto. Essa estrutura de investimento de longo prazo reflete uma aposta em construção gradual, diferente de modelos que concentram aportes no curto prazo.

O cronograma esportivo e a modernização da infraestrutura
O Juventus estabeleceu um cronograma esportivo que combina ambição com realismo. O primeiro objetivo é o retorno à elite do Campeonato Paulista em 2027, seguido pela disputa da Série C do Brasileirão em 2028. A progressão continua com a chegada à Série B em 2031 e, finalmente, à Série A em 2035. Esse horizonte de dez anos alinha-se com o período de investimento, sugerindo que a estrutura financeira e esportiva será construída em paralelo.
Além dos objetivos competitivos, o clube planeja modernizar o estádio Conde Rodolfo Crespi, localizado na Rua Javari, no bairro da Mooca. A reforma aumentará a capacidade do estádio para 15 mil pessoas, mantendo, segundo a comunicação oficial, a “alma do bairro e o encanto de jogar em casa”. A questão da preservação do patrimônio e da identidade local emerge como central na narrativa do clube — um ponto que reflete preocupações comuns em transformações de SAF, especialmente em instituições com raízes comunitárias profundas.
Preservação da história e diálogo com a comunidade
Em comunicado oficial, o Juventus reafirmou que “nossa história, nossas cores e nossa essência estão preservadas”. A ênfase na continuidade identitária é notável: o clube se apresenta como “o Juventus da Mooca”, ressaltando que a transformação em SAF não representa ruptura com o passado, mas evolução. Cláudio Fiorito, um dos líderes do projeto, afirmou que a nova gestão tem “uma preocupação enorme com a história do clube” e deseja “fortalecer ainda mais a relação do clube com a comunidade”.
Essa narrativa de preservação é importante em contextos onde clubes tradicionais enfrentam resistência de torcedores e associados diante de mudanças estruturais. O Juventus, com mais de um século de história, busca equilibrar modernização com continuidade — um desafio que passa por comunicação clara, transparência em decisões e envolvimento da comunidade nos próximos passos.
Os próximos passos e a transparência anunciada
O clube informou que detalhes adicionais sobre os próximos passos serão compartilhados em breve. A ênfase em “transparência, diálogo e respeito” aparece repetidamente no comunicado oficial, sugerindo que há consciência sobre a necessidade de construir confiança com stakeholders internos e externos.
A formalização da SAF representa um marco, mas não o ponto final do processo. Questões operacionais — integração de sistemas, definição de estruturas de governança, cronograma de investimentos, contratações e planejamento esportivo — seguem em aberto. O clube promete transparência nesses movimentos, o que será testado nos próximos meses conforme as decisões forem tomadas.
O significado para o futebol paulista e o modelo de SAF
O Juventus é um dos clubes tradicionais do futebol paulista que, após anos de dificuldades competitivas e financeiras, busca reconstrução via SAF. Diferente de casos como Botafogo ou Vasco, que já tinham presença consolidada em divisões superiores, o Juventus parte de posição mais modesta — o que torna o cronograma de dez anos até a Série A uma aposta de longo prazo em desenvolvimento estruturado.
O modelo também ilustra uma tendência no mercado: investidores que apostam em clubes fora do eixo Rio-São Paulo tradicional, com potencial de crescimento e comunidades engajadas. A Mooca, bairro histórico de São Paulo, é território com tradição de mobilização em torno do clube, o que pode ser um ativo importante para receitas de bilheteria, sócio-torcedor e engajamento comunitário.



