Rio de Janeiro – O empresário norte-americano John Textor, controlador da SAF do Botafogo, formalizou uma proposta de investimento de R$ 128,5 milhões (equivalentes a US$ 25 milhões, pelo câmbio atual) para injetar recursos novos no clube. A iniciativa, revelada em comunicado público nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, visa resolver pendências financeiras urgentes, como o pagamento da folha salarial, em meio a tensões com o clube social e investidores como o Grupo Eagle.
A carta-proposta, enviada na noite de segunda-feira ao Clube de Regatas Botafogo, estrutura o aporte como uma injeção de capital próprio, ou equity, em troca de novas ações ordinárias. Textor enfatiza que os 10% de participação acionária reservada ao associativo seriam preservados, com a capitalização ocorrendo via emissão de ações adicionais. “Trata-se de um investimento e não de um empréstimo, ou seja, dinheiro novo e saudável entrando no clube”, destaca o documento.
Essa movimentação complementa um empréstimo de US$ 25 milhões (também R$ 128,5 milhões) já garantido em fevereiro junto aos investidores GDA Luma e Hutton Capital, utilizado para liquidar um transfer ban que afetava o Botafogo. Com a aprovação, o total de capitalização alcançaria US$ 50 milhões (R$ 257 milhões), fortalecendo o balanço patrimonial da SAF sem acumular mais dívidas. No entanto, para converter esse empréstimo em participação societária, é necessária a assinatura de João Paulo Magalhães, presidente do clube social, em um documento específico de autorização – ato que ainda não se concretizou e sem previsão imediata, conforme apurado.
Textor obteve maioria dos votos no Conselho de Administração para o empréstimo anterior, mas Durcesio Mello, representante do associativo, optou por se abster. Desde janeiro, a SAF aguarda essa anuência para prosseguir com a entrada de equity. “O aumento de capital tem como objetivo garantir liquidez imediata e de médio prazo, incluindo obrigações com folha de pagamento, ao mesmo tempo em que fortalece o balanço patrimonial por meio de equity, em vez de dívida adicional”, explica o americano na íntegra da carta.
Em tom conciliador, Textor reforça seu compromisso de longo prazo. “Sigo comprometido em apoiar o Botafogo e garantir sua operação continuadamente, mas não posso fazer isso sozinho. O apoio e autorização do Clube Social são essenciais para seguirmos com o investimento e manter a força financeira da SAF. Estou pronto para continuar financiando o Botafogo e ansioso para trabalhar em colaboração com todos os interessados para garantir estabilidade, continuidade e sucesso do nosso projeto esportivo.”
Os conflitos societários recentes, agravados por disputas com o Grupo Eagle, expõem fragilidades na governança do Botafogo, que busca estabilidade para suas ambições esportivas. A proposta surge como tentativa de trégua, priorizando a sustentabilidade financeira em um momento crítico da temporada. A torcida alvinegra acompanha com atenção, aguardando desdobramentos que possam assegurar a continuidade das operações e o cumprimento de compromissos essenciais.
Confira a íntegra da carta de John Textor
Como movimento de grande relevância pública e com o compromisso de atualizar a apaixonada torcida alvinegra sobre o andamento das questões societárias, gostaria de compartilhar os detalhes de uma Carta-Proposta enviada ao Clube Social na noite desta segunda-feira:
- Apresentei formalmente o interesse de investir, com capitais próprios, US$ 25 milhões (R$ 128,5 milhões, aproximadamente, no câmbio atual) adicionais na SAF Botafogo através de aporte financeiro, reforçando meu compromisso contínuo com o sucesso de longo prazo do Clube. Este investimento está estruturado como um aporte de capital próprio (equity), com injeção de recursos na SAF em troca de ações ordinárias, fortalecendo a posição financeira do clube de maneira sustentável e responsável.
- Os 10% de participação do Clube Social permanecem preservados, conforme previsto no Acordo de Acionistas, sendo a capitalização viabilizada por meio da emissão de novas ações. Trata-se de um investimento e não de um empréstimo, ou seja, dinheiro novo e saudável entrando no clube.
- O aporte se soma à contribuição de US$ 25 milhões (R$ 128,5 milhões) previamente assegurada junto à GDA Luma e à Hutton Capital, totalizando US$ 50 milhões (R$ 257 milhões) em capitalização para apoiar a estabilidade financeira e as ambições esportivas do Botafogo.
- Desde Janeiro deste ano, a SAF está aguardando uma autorização do Clube Social para a entrada de equity. Hoje, reitero esse pedido formalmente para a que possamos seguir com o processo de capitalização. O aumento de capital tem como objetivo garantir liquidez imediata e de médio prazo, incluindo obrigações com folha de pagamento, ao mesmo tempo em que fortalece o balanço patrimonial por meio de equity, em vez de dívida adicional.
- Sigo comprometido em apoiar o Botafogo e garantir sua operação continuadamente, mas não posso fazer isso sozinho. O apoio e autorização do Clube Social são essenciais para seguirmos com o investimento e manter a força financeira da SAF.
- Estou pronto para continuar financiando o Botafogo e ansioso para trabalhar em colaboração com todos os interessados para garantir estabilidade, continuidade e sucesso do nosso projeto esportivo.
Fonte: ge.Globo; Tribuna de Minas.



