Entre a necessidade de equilibrar as contas, revelar novos talentos e encontrar um caminho seguro para o futuro, o Joinville Esporte Clube (JEC) apresentou na segunda-feira, 24, um plano que pode definir os próximos capítulos da história do clube. Em sua primeira entrevista coletiva após retornar à presidência, Darthanhan de Oliveira detalhou, na Arena Joinville, as ações que serão adotadas para reorganizar o Tricolor e preparar a instituição para uma eventual transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A proposta apresentada pela diretoria muda o foco inicial da discussão sobre a SAF. Em vez de colocar a busca por um investidor como ponto de partida, o clube pretende primeiro colocar a própria casa em ordem. O caminho definido passa por quatro etapas: organizar o clube, conhecer o seu valor, estruturar a operação e, somente depois, escolher o investidor considerado mais adequado para o JEC. A avaliação da diretoria é de que não basta encontrar uma empresa interessada em assumir o futebol — o clube precisa estar preparado para apresentar números, documentos, dívidas e informações capazes de dar segurança a quem eventualmente decidir investir no Tricolor.
Darthanhan revelou que o JEC já manteve conversas com diversos possíveis investidores nos últimos anos. Segundo ele, foram 24 empresas procuradas entre 2024 e 2025, além de negociações mais recentes. Uma das conversas que avançou foi com a Sportheca, mas o negócio não foi concretizado. Atualmente, de acordo com o presidente, o clube conversa com outros dois possíveis interessados. Apesar disso, Darthanhan entende que a prioridade neste momento não é simplesmente encontrar um nome para assumir a SAF. “A minha missão não é necessariamente achar o investidor da SAF, porque a gente já conversou com muita gente. A gente conversou com 24 empresas em 2024 e 2025”, afirmou.
Segundo ele, um dos obstáculos identificados durante as negociações foi justamente a falta de organização interna do clube. “Antes disso é de preparar realmente o clube para plugar com o investidor que vocês mesmos viram que todos eles, em algum momento, se queixaram do Joinville não estar preparado para essa conexão.” Um dos primeiros movimentos será a construção do chamado livro de débitos, documento que deverá reunir as dívidas e obrigações do clube. Também estão previstas diligências internas e a resolução de pendências relacionadas à Recuperação Judicial. A intenção é transformar informações que hoje estão espalhadas em um diagnóstico financeiro mais claro da instituição. O trabalho será realizado com a participação de uma consultoria externa independente, da Diretoria Executiva e do Conselho Deliberativo, por meio de um comitê que já atua no apoio à gestão. A ideia é que o processo seja simples, objetivo e, principalmente, executável. Só depois dessa etapa o clube pretende avançar para a estruturação definitiva de uma operação de SAF.
Enquanto reorganiza a estrutura administrativa, o JEC também precisa encontrar soluções imediatas para melhorar o caixa. Uma das apostas está nos jogadores formados nas categorias de base. Alguns atletas foram integrados ao elenco profissional e poderão ganhar espaço durante a temporada, especialmente na Copa Santa Catarina. “Estamos nesse período em busca de novas receitas, patrocínios e principalmente venda de ativos. A gente tem alguns jogadores da base que a gente colocou para estar integrado ao nosso elenco profissional para tentar fazer vendas ainda esse ano para que a gente possa tirar a corda do pescoço financeiramente e honrar contas importantes, inclusive a recuperação judicial”, explicou Darthanhan.
O Tricolor estreia no próximo domingo, 30, contra o Marcílio Dias, e terá pela frente a última competição da temporada. Além da disputa pelo título, o torneio pode garantir ao clube uma vaga em uma competição nacional em 2027, seja na Série D do Campeonato Brasileiro ou na Copa do Brasil. O torneio aparece como a última oportunidade em 2026 para o JEC transformar o futebol em receita e terminar o ano com um cenário mais favorável. Fora das quatro linhas, o desafio é igualmente grande: o clube pretende usar os próximos meses para conhecer com precisão o tamanho das próprias dívidas, reorganizar a estrutura e preparar o terreno para uma eventual SAF.
Fonte: Ponto Norte Joinville.



