Os 40 clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro serão avaliados por um novo sistema criado para medir práticas ambientais, sociais e de governança no futebol. O Índice Brasileiro de Sustentabilidade no Futebol, o IBSF, terá apoio da Confederação Brasileira de Futebol na coleta de dados e deverá apresentar o primeiro diagnóstico no início de 2027. A iniciativa foi idealizada pelo Movimento Sustentabilidade em Campo, organização dedicada ao desenvolvimento de ações de ESG na cadeia esportiva. Os temas do índice foram debatidos nesta segunda-feira (3), durante o Fórum Sustentabilidade em Campo, em São Paulo.
O levantamento pretende identificar como os clubes lidam com questões como gestão de resíduos, emissão de gases de efeito estufa, eficiência energética, diversidade, inclusão, transparência, combate à corrupção e relação com empresas de apostas esportivas. Segundo o presidente do Movimento Sustentabilidade em Campo, Marcelo Linguitte, a criação do índice acompanha a transformação dos clubes em estruturas cada vez mais próximas de organizações empresariais. Em 2024, boa parte dos clubes que disputaram a Série A adotava o modelo de Sociedade Anônima do Futebol, a SAF, criado pela Lei nº 14.193/2021. Também aumentou a presença de grandes empresas entre os patrocinadores das equipes, ampliando a cobrança por práticas relacionadas ao ESG. “Como avaliar se os clubes estão progredindo nesse tema, para que daí eles consigam mobilizar as suas torcidas? Ter alguma ferramenta de mensuração de práticas é o caminho. Foi daí que surgiu a ideia de fazer o IBSF, desenvolvendo as perguntas e a metodologia que pudessem responder a uma questão de governança e de transparência”, explicou Linguitte.
O questionário terá 86 perguntas, que passam por validação até setembro. Os clubes deverão começar a responder em outubro e terão prazo de 45 dias para enviar as informações e os documentos que comprovem os dados apresentados. A falta de resposta também será registrada no índice. Após a análise técnica, os clubes serão classificados de acordo com o desempenho, e os resultados passarão por auditoria antes da divulgação pública. A proposta é repetir o levantamento todos os anos, permitindo acompanhar a evolução das equipes nas áreas avaliadas.
No eixo ambiental, o índice analisará emissões de gases de efeito estufa, gestão de resíduos, eficiência energética e ações de educação ambiental voltadas aos torcedores. Na área social, serão considerados projetos ligados à diversidade, inclusão, combate ao racismo e outras causas desenvolvidas ou apoiadas pelos clubes. Na governança, o questionário tratará da presença de mulheres nos conselhos, transparência em contratos de jogadores, códigos de ética, mecanismos de combate à corrupção e envolvimento com plataformas de apostas. Entre os pontos relacionados às apostas esportivas, o levantamento pretende identificar quanto os patrocínios das bets representam no orçamento de cada clube e se existem procedimentos para detectar e tratar possíveis irregularidades. “É um ponto fundamental, pois, se por um lado não dá para negar a existência delas, também não dá para ficar uma coisa solta. Há de se ter controle e acompanhamento”, disse Linguitte.
Os maiores desafios, segundo o presidente do movimento, estão nas áreas ambiental e de governança, especialmente em questões relacionadas à transparência e aos impactos provocados pelas atividades dos clubes. Inicialmente, o processo terá caráter educativo, sem previsão de punições. A possibilidade de uma regulamentação futura, no entanto, não foi descartada. “Nesse primeiro momento, é um processo mais pedagógico. Posteriormente, pode ser que evolua para alguma coisa nesse sentido regulatório”, afirmou.
Fonte: A Crítica; Terra/Estadão.



