O Brasil sustenta hoje cerca de 40 mil atletas nas categorias de base dos clubes, mas menos de 3% desses jogadores viram profissionais recebendo acima de cinco salários mínimos, segundo o vice-presidente da CBF, Ricardo Paul. É pensando principalmente nos 97% que não conseguem ou têm dificuldades de viver do futebol que a Confederação montou um programa de capacitação para atletas na base. Através do programa CBF Impacta e do Comitê de Sustentabilidade da entidade, a CBF acertou com a Faculdade Estácio para executar a plataforma de aulas online e tenta começar a distribuir o projeto entre os jogadores e clubes a partir de 2027.
O dirigente revelou o plano em palestra no Fórum Sustentabilidade em Campo e conversou com o ge para dar mais detalhes sobre o projeto. Serão quatro semestres de formação online, com cerca de cinco disciplinas por período, baseado em um “conteúdo jovem”, como descreve o dirigente. E não será uma substituição ao ensino escolar. “O conteúdo jovem é conteúdo acessível, vai ser composto de podcasts, algumas disciplinas interativas, seminários, uma coisa que o jovem já está acostumado a consumir. Não é um programa de substituição do colégio. Pelo contrário”, explicou. O programa vai abordar outras vertentes, incluindo educação financeira, educação ambiental, autoconhecimento e educação antirracista. “Acho que o clube também tem que ter essa preocupação, mas a gente vai entrar com essa parte de formação”, completou.
Estudo para tornar a formação obrigatória
O comitê de sustentabilidade estuda agora como tornar a formação obrigatória para os atletas, com o objetivo de ajudar no aumento do alcance da iniciativa entre os jovens. Uma possibilidade pensada é torná-la obrigatória para o jogador poder estrear no profissional — ou seja, o atleta precisaria ter concluído ou estar cursando a formação para poder estrear no time principal de seu clube. “É uma contribuição de formação e de graça. São dois anos, agora se o menino entrou (no curso) e em um ano já se profissionalizou no clube, por exemplo, teria mais um ano para terminar. É uma ideia, estamos vendo possibilidades”, afirmou Ricardo Paul.
O plano da CBF é que as atividades fiquem disponíveis na plataforma para os atletas acessarem, mas com prazo de um semestre para completar cada módulo. “A educação à distância tem uma ferramenta muito poderosa, que é desenvolver o autodidata. Você saber como é que você vai aprender. É um desafio, vamos aprender também ao longo do processo e pode ser que o projeto vá mudando”, concluiu o vice-presidente. A iniciativa reforça o papel da CBF na formação integral dos jovens atletas, preparando-os não apenas dentro de campo, mas também para a vida além do futebol.
Fonte: ge.Globo.



