O Guarani recebeu a nova minuta do contrato apresentado pelo empresário Roberto Graziano, interessado em adquirir 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube — a empresa que passará a administrar o futebol profissional bugrino. O envio do documento marca o início de uma nova fase do processo, que passará pelo crivo do Conselho Deliberativo e pela votação dos associados. A proposta de Graziano prevê a constituição de uma SAF e a subscrição de 90% do capital social por parte do investidor, conforme descrito no edital de convocação — ou seja, o empresário compraria a maior parte das ações da nova empresa, injetando o capital que sustentará a operação. A negociação também envolve a transferência dos ativos relacionados à prática do futebol para a nova estrutura.
O Guarani marcou para a próxima quinta-feira, dia 22 de outubro, uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para apresentar a proposta ajustada de transformação do clube em SAF. A convocação foi publicada na última quinta-feira e, segundo o edital, a reunião será virtual, com início às 19h, em chamada única. A pauta prevê a apresentação da proposta e a emissão de parecer sobre os instrumentos contratuais que darão suporte à operação — o edital foi assinado pelo presidente do órgão, André Torquato, e contempla ainda a análise das garantias da operação. Caso avance no Conselho, o texto das garantias e dos contratos será submetido à Assembleia Geral Extraordinária: o cronograma prevê reuniões com os associados entre os dias 16 e 19 de novembro, com a votação decisiva agendada para o dia 19 — as datas ainda dependem de oficialização. Após a etapa do Conselho, o órgão já convocou quatro assembleias com os sócios para esclarecimentos e votação da proposta.
Por que a votação foi adiada — e o que já foi aprovado
A expectativa era que o clube já estivesse operando em SAF, mas a votação foi adiada para novembro após ajustes na proposta a pedido do próprio Roberto Graziano. A constituição da empresa, porém, já havia sido autorizada pelos sócios em 2 de outubro, quando 235 votaram a favor e 12 contra a criação da SAF, sob controle inicial de 100% do Guarani — ou seja, naquele momento, a associação aprovou a criação da empresa mantendo todas as ações em mãos próprias. A venda da fatia de 90% para Graziano constitui uma etapa posterior e exige a validação final da Assembleia Geral. O desenho é o padrão do mercado: primeiro o clube cria a empresa e depois negocia a venda de participação a um investidor — e é justamente essa segunda etapa que será decidida em novembro.
A votação representa a última etapa para o andamento do projeto, que depende da análise dos instrumentos da operação e da deliberação dos associados, conforme os procedimentos previstos no estatuto do clube. Na prática, o Guarani chega ao fim de outubro com o caminho formalmente mapeado: minuta recebida, Conselho reunido em 22 de outubro, quatro assembleias de esclarecimento em meados de novembro e a decisão final nas mãos dos associados no dia 19. Se aprovada, a operação transfere 90% do capital da SAF ao investidor e os ativos do futebol à nova estrutura — fechando um ciclo que começou com a aprovação da criação da empresa e que agora depende apenas da última palavra do torcedor associado.


