O Grupo City — conglomerado que controla 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Bahia — já iniciou conversas com o Governo da Bahia para discutir a possibilidade de assumir a gestão da Arena Fonte Nova a partir de 2028. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (21) pelo secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, que ressaltou, porém, que ainda não existe um acordo fechado sobre a administração do estádio. Segundo o secretário, os diálogos envolveram representantes do conglomerado e contaram com a participação do governador Jerônimo Rodrigues.
O ponto de partida é o calendário. O atual contrato de concessão da arena — o modelo pelo qual o Estado entrega o equipamento a uma empresa para administrar e explorar comercialmente por um período determinado — termina em 2028. É justamente essa data que abre a janela para uma nova configuração do estádio que sedia os jogos do Bahia. Apesar do interesse do Grupo City, o governo estadual destacou que a escolha do próximo responsável pela gestão da Fonte Nova será feita por meio de licitação, o processo público em que empresas interessadas apresentam propostas sob regras definidas pelo poder público. A previsão é de que o edital — o documento que estabelece as condições da disputa — seja publicado em 2027, respeitando todas as etapas legais do processo.
O Grupo City também não é o único interessado. A atual concessionária, a Fonte Nova Negócios e Participações S.A. (FNP), mantém diálogo com o governo sobre o tema. Na prática, o cenário desenha uma disputa que pode colocar frente a frente o dono da SAF do Bahia e a empresa que hoje administra o estádio — com a diferença de que a decisão não será tomada em mesa de negociação, mas em um processo competitivo com regras públicas.
Um novo modelo de gestão em construção — e o que está sendo analisado
Paralelamente às conversas com possíveis parceiros, o Governo da Bahia trabalha na elaboração de um novo modelo de administração para a Arena Fonte Nova. A proposta é realizar estudos técnicos para avaliar as condições necessárias à continuidade da operação do estádio após o encerramento do contrato vigente. Nesse processo, o governo prevê contratar a BahiaInveste para produzir um diagnóstico da estrutura e um termo de referência que servirão de base para a futura concessão.
A análise deverá abranger aspectos como manutenção, infraestrutura, logística, contratos comerciais e exploração dos direitos de nome do equipamento, os chamados naming rights — a venda do direito de batizar o estádio com uma marca, modalidade que se tornou uma das principais fontes de receita de arenas modernas. A definição do próximo gestor deverá considerar tanto os aspectos econômicos quanto o uso esportivo e comercial da arena: além das partidas de futebol, a Fonte Nova recebe shows e outros eventos, o que amplia a complexidade da administração e exige um operador capaz de lidar com agendas distintas.
A eventual entrada do Grupo City na gestão do estádio poderia ampliar a participação do Bahia nas decisões relacionadas ao equipamento — hoje, o clube é usuário da arena, mas não o responsável por sua administração. Qualquer mudança, no entanto, dependerá do processo licitatório e das condições estabelecidas pelo Governo da Bahia para a nova concessão. Ou seja, o interesse do conglomerado é o primeiro passo de uma disputa que só será resolvida com o edital em 2027 e a definição do novo modelo ao longo dos próximos meses.
Fonte: Futebol Baiano.



