O Grêmio deu um passo formal para mudar de bloco na organização comercial do futebol brasileiro. O Conselho Deliberativo do clube foi convocado e votará na próxima quinta-feira, dia 5 de março, a saída da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e o ingresso no Futebol Forte União (FFU), grupo que anteriormente era conhecido como LFU. O Tricolor integra a Libra desde 2022, mas a convocação deixa claro que a relação com a entidade se deteriorou, principalmente por divergências sobre governança, diálogo interno e divisão de receitas.
A movimentação ocorre em um cenário em que a disputa por direitos de transmissão e a forma de repartição do dinheiro passaram a ser o principal ponto de tensão entre clubes, blocos e lideranças do mercado.
Insatisfação com rumos da Libra e críticas à postura do Flamengo
O clube gaúcho atribui o incômodo a dois pilares: a falta de debate e diálogo sobre a estrutura do futebol dentro da Libra e o impacto financeiro que, na leitura gremista, se tornou pior do que o previsto no acordo inicial. Também pesa a postura do Flamengo no ambiente político da entidade, citada como fator de desgaste.
O atrito ganhou contornos mais concretos no fim do ano passado, quando a Justiça do Rio de Janeiro bloqueou parte dos valores que os clubes da Libra teriam a receber por direitos de transmissão. O bloqueio ocorreu por causa de uma ação do Flamengo, que contesta a divisão do montante. O Grêmio reagiu publicamente, criticando a postura do clube carioca.
Esse contexto reforçou a percepção interna de que a Libra perdeu capacidade de conduzir decisões com previsibilidade e consenso, criando incerteza justamente no ponto mais sensível: a receita de TV.
O que muda com a ida ao FFU e por que o voto é decisivo
Se o Conselho aprovar a troca, o Grêmio passará a seguir o mesmo caminho de Corinthians e Atlético-MG, que já deixaram a Libra para ingressar no FFU. O principal atrativo imediato relatado para o Tricolor é financeiro: a adesão ao novo bloco resultaria em um recebimento de pouco mais de R$ 100 milhões nas próximas semanas.
Esse valor é descrito como uma antecipação de 10% da receita de TV firmada para os próximos 50 anos. Na prática, trata-se de um reforço de caixa de curto prazo que pode ter peso relevante nas decisões do clube, sobretudo em um ambiente em que previsibilidade de receitas e capacidade de planejamento são pontos centrais para manter competitividade.
A votação do Conselho Deliberativo, portanto, não se limita a um reposicionamento político. Ela define qual caminho o Grêmio pretende seguir no desenho de liga e na negociação coletiva de direitos de transmissão, além de determinar o impacto financeiro imediato decorrente da migração.
Como ficam os blocos com o movimento em pauta
A possível saída do Grêmio mexe diretamente no equilíbrio entre os grupos, que hoje reúnem clubes da Série A de forma separada.
Na Libra, estão listados: Bahia, Bragantino, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Remo, Santos, São Paulo e Vitória.
No FFU, estão: Atlético-MG, Athletico-PR, Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Fluminense, Inter, Mirassol e Vasco.
Se a mudança for confirmada, a Libra perderá um integrante relevante e o FFU ganhará ainda mais força, ampliando o peso político e econômico do bloco. Para o Grêmio, a decisão sinaliza uma tentativa de buscar maior alinhamento com um grupo que, na sua avaliação, oferece um desenho mais favorável de receitas e condução.
Fonte: ge.Globo.



