Neste giro de notícias Sou SAF temos três movimentos que marcam a agenda de governança no futebol: a comissão de apuração do Vasco entregou relatório indiciando 21 pessoas por irregularidades na venda da SAF para a 777 Partners, apontando pagamentos suspeitos, balanço forjado e um “núcleo central decisório” que teria orquestrado narrativas para iludir sócios; o Sampaio Corrêa anunciou que a transformação em SAF será concluída até o início de 2026, com o Grupo LG2 (ex-presidente do Flamengo Rodolfo Landim) como investidor; e o Comercial marcou assembleia para 30 de outubro para escolher entre propostas de SAF da Total Player e da empresa austríaca WWSA.

Vasco — relatório aponta orquestração, pagamentos sem serviço e dívida dissimulada
Após aproximadamente um ano e meio de investigação, a comissão de conselheiros do Vasco entregou em 6 de outubro um relatório preliminar que indicia 21 pessoas por irregularidades na constituição da SAF e na venda de 70% das ações para a 777 Partners. O documento, que pode resultar em exclusão do quadro social dos acusados, apresenta conclusões graves sobre a conduta da gestão anterior, encabeçada por Jorge Salgado.
A comissão, formada por sete conselheiros, identificou um “Núcleo Central Decisório” composto por sete dirigentes que participaram de todas as etapas do processo, desde as primeiras discussões sobre a Lei da SAF até a assinatura do negócio. Segundo o relatório, esse núcleo — que incluía Salgado, Carlos Roberto Osório, Roberto Duque Estrada, Carlos Fonseca, Adriano Mendes, Zeca Bulhões e Luiz Mello — teria “orquestrado” um cenário fictício para convencer sócios e torcedores de que a venda era a única saída viável. O documento afirma, em trecho direto: “Percebe-se claramente que tudo fora orquestrado pela Diretoria Administrativa da gestão Jorge Salgado, como um grande teatro para iludir sócios, gerar expectativas vitoriosas com a criação de uma empresa”.
Entre as principais acusações está o pagamento de R$ 775.833,34 à MJ Capital LTDA, empresa sediada em Blumenau, sem que houvesse indícios de prestação de serviço. A comissão constatou que a empresa foi criada 34 dias antes da assinatura do contrato e encerrada sete meses depois — cronograma que tornaria impossível qualquer trabalho efetivo. O documento conclui que aqueles que chancelaram a operação “praticaram ato atentatório contra o CRVG, em tese, passível de reprimendas criminais e cíveis”.
Outro ponto crítico é a manipulação do balanço patrimonial. Segundo depoimento de um ex-funcionário, Adriano Mendes utilizava ferramentas de planilha para “reduzir” as dívidas do clube associativo, induzindo a erro o Conselho Deliberativo que posteriormente aprovou o balanço. A comissão concluiu que a venda deixou “embaixo do tapete” uma dívida dissimulada de mais de R$ 200 milhões, colocando o CRVG “em um estágio falimentar”. Adicionalmente, o relatório aponta que R$ 4 milhões dos R$ 70 milhões do empréstimo-ponte concedido pela 777 foram utilizados para pagar uma “suposta dívida” que o clube teria com Salgado.
A comissão também questionou a venda das ações à empresa 777 Carioca LLC, quando durante todo o rito de aprovação foi dito que seriam vendidas à 777 Partners, além de apontar que a 777 tinha ao menos dois sócios ocultos — fato que fere o estatuto do clube. O envolvimento de Luiz Mello também é criticado: nomeado CEO da SAF logo após representar os interesses do clube na negociação, o relatório destaca o “total conflito de interesses” da situação.
Os acusados têm 15 dias úteis para apresentar defesas. Alguns já se manifestaram: Roberto Duque Estrada negou “absolutamente” as acusações, afirmando que seu trabalho foi técnico e que quem decidiu celebrar a operação foi o Conselho e a Assembleia; Carlos Roberto Osório disse estar avaliando o conteúdo; Jorge Salgado informou estar em viagem no exterior. Adriano Mendes, Zeca Bulhões e Luiz Mello não responderam até a publicação da reportagem.
Fonte: ge.globo.

Sampaio Corrêa — SAF até início de 2026 com Grupo LG2 e novo CT garantido
O Sampaio Corrêa anunciou que a transformação em SAF será concluída até o final de 2025 ou início de 2026. Em entrevista ao programa Resenha, da Mirante News, o presidente Sérgio Frota e o vice e diretor jurídico Perez Paz revelaram detalhes do processo e do acordo com o Grupo LG2, que tem como principais nomes o ex-presidente do Flamengo Rodolfo Landim, o ex-diretor de marketing do mesmo clube Gustavo Oliveira e Gabriel Araújo, especializado em tecnologia.
Segundo Frota, o clube já passou pela fase de análise financeira e agora entra na fase de “discutir dinheiro” com “toda transparência”. Os investidores participarão do planejamento para 2026 e da captação de recursos. Perez Paz complementou que a SAF deve ser concluída até o final do ano ou início do próximo, com a ressalva de que o clube precisará montar o elenco e iniciar a pré-temporada em dezembro — o que exigirá apoio dos investidores nesse primeiro momento.
Quanto à estrutura acionária, Paz explicou que os investidores terão posição de comando, “como é natural em qualquer SAF do Brasil”, enquanto a associação manterá um percentual relevante. No que diz respeito à infraestrutura, ambos reforçaram que o terreno do Sampaio permanecerá com o clube e que um novo Centro de Treinamento será construído, seja na sede atual ou em outro local. “Uma das coisas que eles deixaram claro é que não estão fazendo negócio imobiliário”, afirmou Paz, explicando que a SAF pode executar o projeto completo ou fazer investimentos parciais de curto prazo, com a associação cedendo o uso do terreno.
Na temporada 2026, o Sampaio disputará apenas o Campeonato Maranhense e a Série D do Brasileiro, o que reduz a pressão imediata por receitas de competições de maior alcance.
Fonte: ge.globo.

Comercial (SP) — assembleia no dia 30 decide entre Total Player e WWSA
O Conselho Deliberativo do Comercial convocou assembleia geral extraordinária para 30 de outubro, às 19h30, no estádio Palma Travassos, para escolher qual proposta de SAF o clube seguirá. Duas ofertas formais foram apresentadas: uma da Total Player, dos irmãos Paulo e Calucho Jamelli, e outra da WWSA, empresa austríaca de gestão esportiva. Ambas incluem planos de investimento, estrutura de gestão e identificação dos investidores.
Segundo o presidente do conselho, Gustavo Guerra, as empresas solicitaram alguns meses para realização de due diligence (análise detalhada antes do fechamento), após o qual apresentarão propostas finais e será realizada votação definitiva. A pauta inclui aprovação de contratos de parceria e terceirização, além da votação que definirá qual proposta avançará.
Existe também uma terceira proposta, do grupo Raiz Comercialina, que havia retirado seu projeto anterior mas voltou à mesa após conversa com o presidente Antonio Campanelli. O advogado Marcelo Zaparoli, representante do grupo, explicou que o novo modelo é uma gestão híbrida e temporária até maio de 2026, com investimento condicionado à análise das receitas e despesas para a disputa da Série A4 do Campeonato Paulista. Esse projeto, porém, não está previsto para discussão na assembleia do dia 30.
Fonte: ge.globo.
Em perspectiva
Os três movimentos expõem dinâmicas distintas no ecossistema das SAFs. No Vasco, o relatório de apuração sinaliza que a transformação em SAF pode estar associada a irregularidades graves — pagamentos sem contrapartida, manipulação de balanços e conflitos de interesse — que demandam escrutínio jurídico e reputacional. No Sampaio, há um cronograma claro e investidor identificado, com compromissos sobre infraestrutura e governança. No Comercial, o processo segue aberto, com múltiplas propostas em disputa e decisão iminente. Em todos os casos, a transparência, a governança e a proteção dos interesses do clube associativo emergem como questões centrais.



