O processo de transferência do controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo para o grupo GDA, liderado pelo empresário Gabriel de Alba, entrou em uma fase de definições burocráticas e financeiras. Embora um acordo vinculante tenha sido formalizado na última sexta-feira, a gestão plena do departamento de futebol ainda depende da resolução de pendências que envolvem administradores judiciais na Europa e o acerto de contas com outras instituições esportivas anteriormente ligadas ao clube.
O principal obstáculo para a finalização da venda reside na transferência das ações por parte da Eagle Bidco. Atualmente, a holding está sob a administração da Cork Gully, uma empresa britânica especializada em reestruturação financeira. Essa intervenção ocorreu por iniciativa da Ares, principal credora da holding, que utilizou mecanismos da legislação inglesa para nomear administradores independentes devido a uma dívida estimada em US$ 547,3 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões). O objetivo dos administradores é realizar uma venda acelerada dos ativos, que incluem o Botafogo, o Lyon (França) e o RWD Molenbeek (Bélgica), para garantir o pagamento aos credores e preservar o valor das instituições.
Ajustes de contas com o Lyon e aporte financeiro imediato
Paralelamente às negociações em Londres, o Botafogo trabalha para equacionar as pendências financeiras com o Lyon. O impasse é fruto do sistema de “caixa único” operado durante a gestão anterior, o que gerou interpretações divergentes sobre créditos e débitos entre os dois clubes. Enquanto o Botafogo sustenta possuir valores a receber dos franceses, o Lyon mantém uma posição oposta. Reuniões entre as presidências das duas instituições buscam um consenso, tendo sido cogitada, inclusive, a transferência de atletas como parte do pagamento para destravar o acordo final.
Apesar da complexidade jurídica, o fluxo de caixa do clube carioca deve receber um alívio imediato. Está prevista para esta semana a entrada de um aporte de US$ 25 milhões (cerca de R$ 129 milhões) proveniente da GDA. Este recurso será destinado ao custeio de despesas pendentes e à manutenção das operações nos próximos meses. No campo institucional, o presidente do Botafogo associativo, João Paulo Magalhães, tem um encontro presencial agendado com Gabriel de Alba nos Estados Unidos, onde devem selar os últimos detalhes da transição que visa dar estabilidade definitiva à gestão alvinegra.
Fonte: ge.Globo.



