O amistoso entre Brasil e Estados Unidos, disputado no dia 9 de junho, em Fortaleza, foi mais uma demonstração de como o futebol é decidido por muito mais do que técnica e condicionamento físico.
Diante de mais de 55 mil torcedores, a Seleção Brasileira Feminina fez um jogo equilibrado contra uma das principais potências da modalidade, mas acabou derrotada por 1 a 0 em uma partida marcada por intensidade, pressão e muita disputa emocional.
E é justamente em jogos assim que um aspecto muitas vezes invisível ganha destaque: a preparação mental.

O que não aparece nas estatísticas
Quando duas equipes de alto nível entram em campo, as diferenças técnicas costumam ser pequenas.
Nesses cenários, a capacidade de manter a concentração, controlar emoções e tomar boas decisões sob pressão pode fazer toda a diferença.
Durante uma partida de alto nível, as atletas precisam lidar com diversos fatores ao mesmo tempo: a pressão da torcida, a responsabilidade do resultado, erros que acontecem ao longo do jogo, decisões da arbitragem e a necessidade de responder rapidamente a situações inesperadas.
Tudo isso exige preparo. Não se trata apenas de jogar bem. Trata-se de continuar jogando bem quando a pressão aumenta.
Futebol também é gestão emocional
É comum associar desempenho apenas à parte física e tática. Mas o futebol moderno mostra que o componente mental tem impacto direto dentro de campo.
A capacidade de se recuperar rapidamente após um erro, manter a confiança depois de um lance adverso ou conservar a organização emocional em momentos de tensão influencia diretamente o rendimento coletivo.
E isso vale para qualquer equipe, independentemente do resultado final.
Partidas equilibradas como Brasil x Estados Unidos reforçam exatamente essa realidade: muitas vezes, o detalhe decisivo não está na estratégia desenhada antes do jogo, mas na forma como as atletas reagem aos desafios que surgem durante os 90 minutos.
Treinar a mente também é treinar performance
Por muito tempo, o treinamento mental foi visto como algo complementar. Hoje, ele faz parte da preparação de equipes que buscam alto rendimento.
Entre as habilidades mais trabalhadas estão:
- Foco e concentração;
- Controle da ansiedade;
- Resiliência emocional;
- Confiança;
- Tomada de decisão sob pressão.
Essas competências ajudam atletas a manter estabilidade mesmo em ambientes de grande exigência.
Um aprendizado que vai além do resultado
O amistoso em Fortaleza faz parte da preparação da Seleção para desafios ainda maiores nos próximos anos. E, além dos aspectos técnicos e táticos, partidas desse porte oferecem aprendizados importantes sobre comportamento, adaptação e resposta à pressão.
No futebol atual, vencer não depende apenas de correr mais ou ter mais posse de bola. Depende também da capacidade de manter clareza, equilíbrio e confiança quando o jogo exige mais.
Porque, no fim, o futebol continua sendo jogado com os pés. Mas muitas partidas são decididas pela mente.
Fabiana Nardini
Advogada Desportiva, especialista em Direito no Futebol. Atua de forma estratégica com atletas, clubes e projetos esportivos. Trabalha na conexão entre jurídico, gestão esportiva e captação de recursos, transformando segurança jurídica em resultado: organização, crescimento e performance dentro e fora de campo. Integra análise de desempenho e treinamento mental à prática jurídica, com uma visão completa do esporte como negócio e ativo de investimento. Membro da Comissão de Direito Desportivo da OAB/AL. Atua ao lado de federações e ligas em Alagoas, contribuindo para a profissionalização, fortalecimento e desenvolvimento do esporte.



