O Fortaleza amplia nesta quarta-feira (23) o debate com conselheiros sobre uma possível venda majoritária das ações da sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A discussão marca uma mudança de rota no modelo adotado pelo clube: já são três anos com uma configuração minoritária de capital, mas sem candidatos para a compra. Projetando a temporada de 2027, com chance de acesso, a diretoria entende que precisa fazer essa alteração por questão financeira — em julho deste ano, o CEO de futebol do clube, Pedro Martins, revelou uma dívida de R$ 300 milhões.
Para quem não está familiarizado, a SAF é o modelo empresarial que separa a gestão do futebol da estrutura associativa tradicional do clube, permitindo a entrada de investidores com regras claras de governança. No caso do Fortaleza, a transformação aconteceu em 2023: sócios proprietários e sócios torcedores aptos votaram, e o estatuto do clube foi modificado. Na época, porém, não houve venda de ações — o movimento foi feito devido a possibilidades de empréstimo. Agora, o cenário é outro: a diretoria avalia abrir o controle majoritário da empresa a investidores, em uma decisão que ainda precisaria passar pela votação dos sócios.
O caminho para a mudança e a consultoria contratada
Qualquer nova configuração para a venda majoritária da SAF só pode ser feita com mudança de estatuto — etapa que, se confirmada, também dependerá da aprovação dos associados. Para fortalecer o planejamento estratégico e buscar soluções para a nova temporada, o clube firmou parceria com a Exa Capital, empresa especializada em consultoria estratégica e de investimentos, que deve ajudar a desenhar os próximos passos do projeto.
O movimento ocorre em um momento de reestruturação institucional. A associação do clube continua com os ativos imobiliários e deveria ser remunerada pela SAF pela utilização do Centro de Treinamento Ribamar Bezerra, do Centro de Excelência e das demais instalações do clube — uma relação financeira entre as duas estruturas que também integra o cenário avaliado pela diretoria.
Na prática, o Fortaleza se junta a um movimento que atravessa o futebol brasileiro: clubes que criaram suas SAFs e agora avaliam, diante de dívidas acumuladas e da necessidade de investimentos, abrir o controle majoritário a grupos externos. A decisão, porém, não é simples — envolve mudança estatutária, votação dos sócios e a definição de quem estaria disposto a comprar. Com a consultoria da Exa Capital e o debate aberto com os conselheiros, o clube cearense começa a desenhar o caminho para a nova configuração societária, em meio à expectativa de um 2027 com possibilidade de acesso e à necessidade de equilibrar as contas.
Fonte: ge.Globo.


