O Flamengo encaminhou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um documento técnico de 65 páginas que sugere uma reestruturação profunda em diversos pilares da modalidade no país. O projeto estabelece a meta ambiciosa de elevar a participação econômica do futebol no PIB nacional de 0,72% para 1,21% até 2035. A estimativa é que essas mudanças gerem um impacto financeiro superior a R$ 153 bilhões, impulsionando a arrecadação tributária, a criação de empregos e a competitividade internacional dos clubes nacionais.
A reforma proposta abrange desde a padronização de horários de jogos até o uso de tecnologias avançadas. No calendário, sugere-se a fixação de horários rígidos para as transmissões e a redução da participação de equipes das Séries A e B em torneios estaduais e fases preliminares de copas. Uma das medidas mais inovadoras é a criação de uma pausa técnica de inverno de 21 dias, além da suspensão obrigatória de competições durante as datas FIFA, garantindo um intervalo de 72 horas para o retorno dos atletas. No campo tecnológico, o plano prevê a adoção do impedimento semiautomático, detecção de “gol-não gol” e a profissionalização integral da arbitragem, com a publicação didática das decisões do VAR após as partidas.
Modernização da infraestrutura e nova experiência para o torcedor
A excelência dos gramados é um dos pontos centrais do documento, que defende a obrigatoriedade de superfícies naturais híbridas de padrão internacional em todas as arenas das Séries A e B. O projeto sugere um sistema de licenciamento rigoroso para estádios e centros de treinamento, exigindo iluminação em LED, conectividade Wi-Fi e zonas mistas no padrão europeu. No âmbito do marketing, a estratégia envolve a criação de um evento oficial de lançamento do Campeonato Brasileiro e o tratamento de partidas de maior relevância como “jogos premium”, com campanhas especiais para fomentar rivalidades históricas e aumentar o engajamento global.
Para o público, a proposta foca na segurança e na hospitalidade. Sugere-se a implementação de biometria facial integrada aos sistemas de segurança pública e a substituição gradual do policiamento ostensivo interno por profissionais treinados em hospitalidade (stewards). O plano também incentiva a criação de setores mistos e familiares, o banimento nacional de torcedores violentos e a flexibilização controlada para festas nas arquibancadas, incluindo o uso de bandeirões e sinalizadores no pré-jogo. Outro ponto relevante é a criação de mecanismos financeiros para desonerar contratos de jovens talentos, visando frear o êxodo precoce de promessas para o exterior através de selos de certificação e plataformas de observação técnica.
Governança corporativa e revisão do sistema de rebaixamento
A transparência e a integridade administrativa ganham destaque com sugestões de regras rígidas contra conflitos de interesse. O Flamengo propõe proibir que um mesmo grupo econômico ou família exerça controle sobre dois clubes na mesma divisão, além de instituir períodos de quarentena para dirigentes e investidores. O controle financeiro seria fortalecido com punições automáticas para descumprimentos e um processo rigoroso de aprovação prévia para novos controladores de Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), visando o equilíbrio operacional de todo o sistema até 2035 e o desestímulo ao uso abusivo de recuperações judiciais.
Por fim, o documento apresenta uma proposta de transição para o modelo de rebaixamento. A ideia é reduzir o número de descensos diretos de quatro para três em 2027 e 2028, instituindo um playoff entre o 18º colocado da Série A e o 3º da Série B. A partir de 2029, o modelo definitivo passaria a contar com apenas dois rebaixamentos diretos. No aspecto financeiro, sugere-se ainda a comercialização conjunta dos direitos da Copa do Brasil e da Série B, além de um mecanismo de compensação logística para apoiar clubes que enfrentam maiores distâncias de deslocamento durante a temporada, garantindo maior equidade competitiva.
Fonte: ge.Globo.



