O Flamengo acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para análise e eventual veto da negociação entre o Vasco e o empresário Marcos Lamacchia, que tem acordo de investimentos encaminhado para a compra da SAF do clube. Nos últimos meses, o presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já havia informado que levaria o caso à Justiça caso as partes avançassem.
O argumento central do Flamengo é que a operação infringe o artigo 86 do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), o chamado fair play financeiro do futebol brasileiro, que veda que qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube. A influência significativa é definida pela regra como a capacidade de dirigir políticas financeiras ou operacionais, exercer veto relevante, nomear administradores-chave ou deter, isolada ou conjuntamente, mais de 10% dos direitos de voto ou vetos. O Flamengo também cita a seção 9 do Regulamento de Sustentabilidade Financeira, que trata especificamente de multiclubes, e o artigo 62 da Lei Geral do Esporte como fundamentos adicionais para o veto.
Laços familiares com a presidência do Palmeiras e os próximos passos na ANRESF
O ponto central da contestação do Flamengo está na relação familiar de Marcos Lamacchia. O empresário é filho de José Lamacchia, que é casado com Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras, com mandato até dezembro de 2027. José Lamacchia atua como avalista do negócio do filho na compra da SAF do Vasco. No entendimento do Flamengo, a participação de ambos na operação configuraria um cenário de influência simultânea sobre dois clubes — Palmeiras e Vasco —, o que é vedado pela regulamentação em vigor. Nos últimos dias, os dois já se manifestaram publicamente sobre a compra do futebol vascaíno. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, também já havia se manifestado sobre o caso anteriormente.
A ANRESF, por sua vez, já solicitou esclarecimentos ao Vasco sobre a negociação e os moldes da possível venda da SAF ao empresário Marcos Lamacchia. O clube tem prazo aberto para responder à agência, que agora avaliará se a denúncia do Flamengo tem fundamento para impedir o negócio. A operação, estimada em mais de R$ 2 bilhões quando considerados aportes, investimentos e assunção de passivos, teve seu edital publicado recentemente pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, com Marcos Lamacchia e sua empresa Almirante Participações e Empreendimentos S.A. na condição de investidor âncora, com direito de preferência no processo competitivo. O desfecho do questionamento na ANRESF pode se tornar um novo capítulo decisivo na disputa pelo controle da SAF vascaína.



