A Fifa anunciou nesta quinta-feira (22) que cada seleção classificada para a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, receberá US$ 2,5 milhões — cerca de R$ 12,6 milhões — para a preparação. O valor é o mesmo destinado às equipes participantes do Mundial masculino de 2026, uma equiparação inédita na principal fonte de recursos que as federações recebem antes do torneio. Na prática, o dinheiro da preparação é o que permite às seleções custear períodos de treinamento, amistosos, viagens e estrutura de comissão técnica nos meses que antecedem a competição — e a igualdade entre os dois Mundiais mexe diretamente com o planejamento de países que nunca tiveram acesso a esse volume de recursos no futebol feminino.
A primeira Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul acontecerá entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, no Brasil. O sorteio dos grupos está marcado para 11 de dezembro de 2026, às 13h30 (de Brasília), no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. Por ser o país-sede, o Brasil será cabeça de chave do Grupo A e disputará a partida de abertura no Maracanã, em 24 de junho. O anúncio da premiação e do calendário chega a menos de dois meses do sorteio, que definirá os confrontos da fase de grupos e o caminho de cada seleção até a final.
Mundial de Clubes Feminino será nos Estados Unidos, em 2028
A Fifa também confirmou o país-sede da primeira edição da Copa do Mundo de Clubes Feminina: os Estados Unidos receberão o torneio entre 5 e 30 de janeiro de 2028, com a participação de 19 equipes das seis confederações continentais. O país sediou os últimos dois grandes torneios da entidade — a Copa do Mundo de Clubes masculina, em 2025, e a Copa do Mundo de 2026. A competição espelha o formato do “Super Mundial” masculino no calendário do futebol feminino.
A distribuição de vagas é a seguinte: AFC (Ásia), CAF (África), Concacaf (América do Norte e Central) e Conmebol (América do Sul) terão três representantes cada; a Uefa (Europa) terá seis; e a Oceania, um. As classificações são garantidas por meio das conquistas continentais entre 2024 e 2027 e pelo ranking das confederações. Sete clubes já estão confirmados: Corinthians, pelo Brasil; Arsenal, pela Inglaterra; Barcelona, pela Espanha; Club América, pelo México; Gotham FC, pelos Estados Unidos; Naegohyang Women’s FC, pela Coreia do Norte; e Wuhan Jiangda, pela China. O Corinthians será, portanto, o representante brasileiro na estreia do torneio.
Na prática, os dois anúncios se completam e apontam para uma mesma direção: a criação de um calendário próprio e financeiramente sustentável para o futebol feminino, com um Mundial de seleções em 2027 e um Mundial de clubes em 2028. Para os clubes, a nova competição abre uma fonte de receita e de visibilidade que antes só existia no futebol masculino; para as seleções, a equiparação da verba de preparação reduz uma diferença histórica de recursos em relação aos torneios masculinos. Para o Brasil, o efeito é duplo — sedia a Copa do Mundo em 2027 e terá um clube na primeira edição do Mundial de Clubes, no ano seguinte.



