No último dia 26 de novembro de 2025 foi realizado o Summit CBF Academy no Hotel Renaissance em São Paulo. O evento contou com a presença da alta cúpula do futebol brasileiro, incluindo presidentes de clubes de futebol no modelo associativo e no modelo SAF das principais divisões do futebol brasileiro, bem como representantes das principais instituições do futebol brasileiro.
Dentre os temas abordados, os principais destaques foram a gestão dos clubes de futebol e o “fair play” financeiro. No que tange a gestão dos clubes de futebol (sejam nos modelos SAF’s ou associativos) muito se falou na profissionalização dos cargos de comando dentro da divisão do futebol profissional e na separação das receitas das modalidades em que o clube participa e do clube social do futebol profissional propriamente dito.
Ao nosso ver o problema da gestão do clube associativo, mesmo que em uma tentativa de profissionalização, esbarra em questões burocráticas de estatutos arcaicos que reservam cargos para conselheiros e no prazo do projeto. Um projeto de profissionalização de gestão leva um tempo que o presidente do clube associativo não tem por conta do prazo do mandato. O clube associativo por ser político, não raro, acontece o caso de o novo grupo político mudar os rumos para deixar sua marca ou outras coisas mais em seu tempo de presidência do clube.
Já no que tange ao “fair play” financeiro, ao que parece a CBF está mesmo disposta a bancar a briga com alguns clubes importantes do futebol brasileiro que, claramente, pelas regras que a entidade pretende adotar, não conseguirão participar das competições por conta dos seus passivos.
A nossa dúvida é qual será o impacto de ter clubes gigantes como o Corinthians, São Paulo, Grêmio, Santos entre outros, fora do campeonato brasileiro, por exemplo, e qual o impacto desta punição para o próprio mercado de futebol. Obviamente é necessária alguma medida no que tange as gestões desastrosas nos clubes de futebol, mas punir o clube e não o mal gestor nos parece prejudicar o próprio mercado que tem como seu principal atrativo a competitividade e a diversidade dos clubes de futebol do Brasil, sem contar a nossa torcida, é claro!
Dr. João Roberto Ferreira Franco
Advogado, sócio-diretor do escritório Lodovico Advogados, Mestre em Direito Empresarial pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, autor do livro “Sociedade Anônima do Futebol: natureza jurídica, fair play financeiro e o problema do multi club ownership” pela Editora Dialética.



