Os jogadores da Ponte Preta publicaram uma manifestação nas redes sociais sobre a situação do clube, citando que estão há aproximadamente seis meses sem receber, apoiando a aprovação da SAF e dando um ultimato para o pagamento dos atrasos salariais. A mensagem foi compartilhada pelos atletas antes do duelo contra o Vila Nova, na noite de quarta-feira, em Goiânia, pela 23ª rodada da Série B do Brasileiro — partida que terminou em derrota por 6 a 0. “A Ponte precisa de responsabilidade, investimento e, principalmente, de uma solução que permita ao clube voltar a honrar seus compromissos. A partir do dia 25 de agosto, se nada mudar, iremos tomar medidas amparadas pela lei que é parar o futebol até que atletas e funcionários recebam seus salários”, diz um trecho da nota.
O prazo estipulado pelo elenco tem relação com a Assembleia Geral Extraordinária marcada para segunda-feira, dia 24, quando o Conselho Deliberativo vai decidir sobre a constituição da Sociedade Anônima do Futebol. A data estipulada para a paralisação, terça-feira (25), corresponde ao dia seguinte da assembleia. O clube tem uma proposta de R$ 1 bilhão de um grupo interessado — outra fonte aponta o valor de R$ 1,1 bilhão. O valor total engloba R$ 300 milhões para o pagamento de dívidas, R$ 300 milhões para o investimento no futebol em 10 anos (R$ 30 milhões por ano) e R$ 400 milhões na modernização do Majestoso, com a construção de uma arena multiuso para cerca de 21 mil pessoas, preparada para receber também shows e eventos corporativos, e de melhorias no CT.
A SAF, a crise política e o drama dentro de campo
No primeiro momento, a reunião de segunda-feira é para aprovar a mudança do clube para SAF — através da transformação ou da cisão do departamento de futebol das demais atividades associativas. Depois é que a proposta de R$ 1 bilhão entraria em discussão, mas um aporte financeiro inicial para a regularização das pendências já estaria vinculado à transformação em SAF — seria uma espécie de adiantamento se a oferta for aprovada futuramente; caso contrário, viraria um empréstimo a ser pago pelo clube. “Neste momento é fundamental que a SAF avance e seja apoiada como uma alternativa para colocar as contas em ordem, garantir os salários e dar condições dignas de trabalho aos atletas e funcionários”, escreveram os jogadores.
No último sábado, o técnico Márcio Zanardi também já tinha se posicionado sobre a crise alvinegra, dizendo que o clube precisa virar SAF para não fechar. Já no começo da semana, um grupo protocolou um requerimento no Conselho Deliberativo pedindo uma Assembleia Geral Extraordinária para votar a cassação do presidente Luiz Torrano e do vice Marco Antonio Eberlin diante dos problemas enfrentados pelo clube. O requerimento tem a assinatura de 158 conselheiros, e o movimento de oposição também pretende questionar na Justiça a Assembleia da SAF.
O cenário dramático fora de campo reflete diretamente dentro das quatro linhas. Sem vencer há 17 rodadas, a Ponte tem apenas 10 pontos em 23 jogos e amarga a lanterna da Série B, caminhando para mais um rebaixamento na temporada, uma vez que já caiu no Paulistão.
Fonte: ge.Globo; Hora Campinas.



