O futuro do Clube Atlético Patrocinense para a temporada de 2026 está sob forte incerteza. Em reunião realizada na sede do clube na noite desta quarta-feira, 18 de fevereiro, o grupo que esteve à frente da agremiação em 2025 oficializou a decisão de não assumir a gestão para o próximo ciclo. O principal entrave para a continuidade do projeto é a grave crise financeira e a impossibilidade jurídica de repasses de recursos públicos por parte da prefeitura municipal.
A definição ocorreu em um encontro convocado para discutir a formação de uma nova diretoria. Sem a garantia de recursos imediatos, a participação do clube no Campeonato Mineiro do Módulo II, agendada para começar em 30 de maio, torna-se incerta.
Impedimentos jurídicos e o impasse com o poder público
O ex-presidente Fulvio Barbosa explicou que o grupo gestor buscou alternativas junto ao prefeito Gustavo Brasileiro para viabilizar o suporte financeiro necessário. Entre as opções analisadas, estava o repasse por meio de uma consultoria externa, baseada em modelos adotados por outras cidades. No entanto, após estudos realizados pela assessoria jurídica do Município, a prefeitura considerou prudente não efetuar o repasse para evitar questionamentos legais e riscos de inelegibilidade.
Diante da ausência desse aporte, o grupo concluiu que não possui condições de gerir o clube de forma responsável. Fulvio ressaltou que o Patrocinense é uma instituição apolítica e que o grupo respeita a prerrogativa do poder público, mas entende que o momento exige a abertura de espaço para novas lideranças da cidade.
O peso das dívidas e a necessidade de recursos imediatos
A situação financeira apresentada é alarmante. O passivo trabalhista total do clube gira em torno de R$ 2,4 milhões. Segundo Fulvio Barbosa, para que o Patrocinense possa sequer iniciar a disputa do Módulo II, seria necessário um investimento imediato de aproximadamente R$ 700 mil.
Durante os quatro meses em que o grupo esteve à frente do clube em 2025 (entre maio e setembro), foram pagos cerca de R$ 500 mil em dívidas, as quais, segundo o ex-dirigente, não foram contraídas por sua gestão. O entendimento atual é que o clube não deve entrar na competição apenas para evitar o rebaixamento, mas sim com uma estrutura mínima que garanta dignidade à torcida e à cidade.
Convocação de eleições e busca por novas lideranças
O presidente do conselho deliberativo, Nivaldo Leal, manifestou surpresa com a decisão da desistência e anunciou medidas imediatas. Um edital de convocação para novas eleições deve ser publicado nesta quinta-feira, com o pleito marcado para o dia 2 de março. A expectativa é que, em um prazo de 15 a 20 dias, uma nova chapa interessada possa surgir para assumir a administração.
Apesar do cenário pessimista, algumas vozes ainda pregam a união. O empresário Marco Antônio da Silva, o Marcão, sugeriu que a estruturação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) poderia ser uma alternativa para equalizar as dívidas e atrair investidores. Já Geraldo Naves, o Kitut, lamentou o enfraquecimento do grupo e a dificuldade de concretizar parcerias com o empresariado local.
Posicionamento da prefeitura e expectativa da torcida
Adélio Furtado, o Delinho, ex-goleiro e representante do Governo Municipal, afirmou que o prefeito Gustavo Brasileiro manterá o suporte estrutural e institucional, mas reiterou que qualquer apoio financeiro direto só será concedido dentro das estritas possibilidades legais. Ele destacou que ainda há tempo até a estreia contra o Mamoré, no Estádio Pedro Alves do Nascimento, e espera que uma solução seja encontrada.
Representantes da torcida, como Higão, da Mancha Grená, e a torcedora Elenizia Delfino, expressaram frustração e tristeza com o anúncio. A torcida pretende buscar diálogos diretos com o poder público para discutir alternativas que evitem o encerramento das atividades do clube, mantendo a esperança de que uma nova diretoria se forme antes do início do campeonato.
Fonte: Jornal de Patrocínio.



