A final do Campeonato Mineiro entre Cruzeiro e Atlético, disputada no domingo (8), terminou com um desfecho que extrapolou o futebol. A partida, vencida pelo Cruzeiro por 1 a 0, com gol de Kaio Jorge, ficou marcada por uma briga generalizada na reta final e por uma súmula extremamente pesada: o árbitro Matheus Candançan relatou 23 expulsões e 32 cartões no total.
A confusão foi tão intensa que o juiz encerrou o jogo após as cenas de violência no campo. No documento oficial, publicado nos primeiros minutos desta segunda-feira (9), Candançan detalhou que, na maioria dos casos, não foi possível sequer exibir os cartões vermelhos em campo devido ao nível do tumulto.
O que o árbitro escreveu para justificar as expulsões
Na súmula, o árbitro registrou 21 expulsões com a mesma justificativa, mencionando agressões com socos e pontapés após o término da partida:
“Expulso por, durante a briga generalizada, após o término da partida, desferir e atingir com socos e pontapés seus adversários, não sendo possível apresentar o cartão vermelho devido ao tumulto.”
As outras duas expulsões tiveram justificativas diferentes e envolvem os dois nomes apontados como estopim da confusão: Everson, goleiro do Atlético, e Christian, meio-campista do Cruzeiro.

O lance que deu início à confusão: Christian e Everson
De acordo com o relato do árbitro, uma dividida entre Christian e Everson foi o ponto de partida da briga. A sequência descrita envolve um momento em que Everson segurou com firmeza um rebote após uma finalização, e o confronto físico se intensificou.
Na súmula, Candançan afirma que Christian: “atingiu com a canela a cabeça de Everson, com uso de força excessiva e intensidade alta”.
Já a expulsão de Everson foi justificada com a descrição de que o goleiro: “partiu para cima com brutalidade, atingir com o joelho o rosto do adversário”.
O árbitro também consignou que, após essas ações, a confusão se instalou e tomou conta do gramado, o que, segundo ele, impossibilitou o procedimento habitual de apresentação do cartão em meio ao tumulto.

Repercussão fora do Brasil: “briga escandalosa” e “batalha campal”
As cenas da final no Mineirão repercutiram internacionalmente e foram abordadas como um episódio de violência generalizada envolvendo jogadores titulares, reservas e integrantes das comissões técnicas.
Na Argentina, o jornal Olé classificou o ocorrido como “briga escandalosa” e destacou a participação de Hulk, do Atlético, mencionando uma sequência de agressões e reações no meio da confusão, incluindo um soco nas costas de Lucas Romero e uma retaliação atribuída a Lucas Villalba.
Em Portugal, o jornal A Bola tratou o episódio como “batalha campal” e também colocou Hulk no centro dos relatos, com referência a agressões e reações em série no gramado.
Na Espanha, o As, de Madri, repercutiu a confusão afirmando que “punições severas são esperadas”, ao descrever a briga como um episódio que saiu do controle.
A lista de expulsos registrada na súmula
A súmula publicada traz a relação dos atletas expulsos dos dois lados. Pelo Cruzeiro, foram citados:
Cássio, Fagner, Fabrício Bruno, João Marcelo, Villalba, Kauã Prates, Christian, Lucas Romero, Matheus Henrique, Walace, Gerson e Kaio Jorge.
Pelo Atlético, aparecem:
Everson, Gabriel Delfim, Preciado, Lyanco, Ruan Tressoldi, Junior Alonso, Renan Lodi, Alan Franco, Alan Minda, Cassierra e Hulk.
Além da confusão, o clássico terminou com o Cruzeiro vencendo por 1 a 0 e ficando com o título estadual, encerrando a sequência recente de hegemonia do Atlético no Campeonato Mineiro.



