O Conselho Deliberativo do Figueirense Futebol Clube tomou uma decisão determinante para o futuro da instituição na última terça-feira (2). Em votação contundente, os conselheiros escolheram a proposta da Pansport para avançar à fase final de negociações para a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O grupo vencedor, liderado por Guilhermo Arturo Vieira e representado pelo empresário Edson Silva, obteve 57 votos favoráveis e três abstenções, enquanto a concorrente, Kactus Capital, não recebeu nenhum voto.
A rejeição unânime à proposta da Kactus Capital foi motivada por uma cláusula considerada de alto risco patrimonial. Segundo a presidência do Conselho Deliberativo, o projeto da empresa previa a utilização do Estádio Orlando Scarpelli como garantia em caso de inadimplência no pagamento das dívidas do clube. A possibilidade de vulnerabilizar o maior patrimônio físico da instituição pesou decisivamente na escolha dos conselheiros, que buscaram uma alternativa que oferecesse maior proteção aos ativos alvinegros.
Projeto estrutural e expansão imobiliária no entorno do Scarpelli
A proposta da Pansport fundamenta-se na valorização da identidade local, sendo composta por empresários de Florianópolis, e na diversificação das fontes de receita. O plano de investimentos é dividido em duas etapas principais. A primeira fase prevê o aporte de R$ 83 milhões destinados a prioridades imediatas, como a renegociação da dívida acumulada — estimada em mais de R$ 200 milhões e que engloba processos de Recuperação Judicial e pendências de transferências de atletas —, além da qualificação do departamento de futebol profissional e das categorias de base. O projeto também contempla a modernização do Centro de Treinamento do Cambirela e do próprio estádio.
A segunda etapa do planejamento projeta investimentos que superam os R$ 500 milhões em empreendimentos imobiliários e comerciais. A estratégia visa transformar o complexo do clube em uma plataforma de negócios, incluindo a criação de um centro de compras a céu aberto (open shopping), áreas residenciais e espaços voltados para lazer, eventos e alimentação. O objetivo central dessa expansão é reduzir a dependência financeira exclusiva das receitas geradas pelo futebol, garantindo fluxos de caixa permanentes para sustentar a instituição no longo prazo por meio de parcerias tecnológicas e de gestão.
Próximas etapas e rito de formalização do contrato
Apesar do resultado expressivo na votação, a SAF ainda não é considerada oficialmente vendida. O processo entra agora em um período de negociação técnica, com duração estimada entre 30 e 40 dias, para a construção dos termos definitivos do contrato. Uma comissão interna do Conselho Deliberativo foi criada especificamente para conduzir essas tratativas, com a missão de analisar minuciosamente cada cláusula e transformar as promessas do grupo investidor em garantias jurídicas sólidas.
A diretoria da SAF ressaltou que o foco atual é a construção de um instrumento contratual que resguarde os interesses dos associados e ofereça transparência absoluta sobre o modelo de governança. No que diz respeito ao rito burocrático, o entendimento institucional é de que não haverá necessidade de uma nova votação em assembleia geral de sócios. Como a venda da Sociedade Anônima do Futebol já havia sido autorizada previamente pelos associados antes de acordos anteriores, o rito atual exige apenas a validação das condições finais pelo Conselho Deliberativo para que a assinatura do contrato seja efetivada.
Fonte: ND Mais.



