O Brasil está de volta à elite do futebol gaúcho. O Xavante venceu o União Frederiquense por 3 a 0 no jogo de volta da semifinal da Divisão de Acesso, no estádio Bento Freitas, e garantiu o retorno ao Gauchão depois de uma temporada ausente. Um dos gestores da SAF do clube, Fernando Ferreira acompanhou a partida de perto e comemorou o cumprimento de todas as metas esportivas traçadas no início do ano — um pacote de quatro objetivos que, segundo ele, foi integralmente alcançado.
Além do retorno à elite estadual, o grupo de investidores buscava uma vaga na Copa Sul-Sudeste, conquistada com o vice-campeonato na Copinha; a manutenção do calendário nacional por meio do ranking, para garantir o retorno à Série D; e o acesso da equipe sub-20 no Estadual. “É uma alegria difícil de descrever. Estou até quase sem voz, mas desde quando começamos, em fevereiro, essa era a data do nosso objetivo principal. Dos quatro objetivos que a gente traçou para o ano, no campo esportivo, a gente conseguiu”, disse Ferreira à Rádio Pelotense 99,5 FM.
Com a vaga no Gauchão assegurada, o gestor destacou que disputar competições desde o início do ano é fundamental para o planejamento e a montagem do elenco. A ideia é manter uma base da equipe desde o começo da temporada, realizando apenas ajustes pontuais quando necessário, em vez de precisar iniciar um novo projeto em março caso o Estadual não fosse disputado a partir de janeiro. É uma questão de lógica esportiva e financeira: um time que entra em campo em janeiro já chega ao segundo semestre com rodagem, elenco avaliado e receita de bilheteria e patrocínio em curso.
A meta de 2027 e o calendário que se abre
Se no primeiro ano da SAF o objetivo principal era recolocar o Brasil na elite do futebol gaúcho, em 2027 o foco estará na Série D do Campeonato Brasileiro, com a meta de buscar o acesso à Série C. Ferreira foi direto ao apontar a ambição: “O objetivo agora eu já posso adiantar aqui: é o Nacional [Série D]. É a gente fazer um Campeonato Gaúcho competitivo e, a partir disso, não dá para descuidar. E ter um time forte para a Série D”.
O dirigente também deixou claro que o retorno à Divisão de Acesso não é uma possibilidade considerada. “Segunda-feira começa o trabalho para a gente montar um time competitivo para o Gauchão, porque eu nunca mais quero voltar para a Divisão de Acesso. É daqui para cima. O Gauchão é uma competição complicadíssima. A gente tem que montar um time competitivo porque tem muita coisa em jogo, tem vaga na Copa do Brasil. A gente não pode descuidar”, afirmou. A observação sobre a Copa do Brasil explica a urgência: o Estadual é a porta de entrada para a competição nacional mais rentável do calendário de um clube de porte médio.

O Brasil já conhece seus adversários no retorno à primeira divisão. A estreia oficial está prevista para 9 ou 10 de janeiro, e o Xavante terá pela frente Grêmio, Internacional, Caxias, Juventude, Ypiranga, São José, São Luiz, Guarany, Novo Hamburgo, Monsoon e Passo Fundo — este último justamente o adversário da final da Divisão de Acesso, que será disputada em dois jogos: ida na quarta-feira (28), às 20h, em Pelotas, e volta no domingo (1º), às 16h, em Passo Fundo. O regulamento será oficializado no congresso técnico, ainda sem data, com previsão de realização em novembro.
A competição está prevista para terminar em 7 de março e repetirá a fórmula da última edição: os 12 clubes são divididos em dois grupos na primeira fase, e cada time joga apenas contra as equipes da chave oposta, totalizando seis rodadas. Depois, no quadrangular contra o rebaixamento, são mais seis rodadas em turno e returno, com os dois últimos colocados caindo para a Divisão de Acesso. Além do Gauchão, o Xavante disputará em 2027 a Copa Sul-Sudeste, com início previsto para 24 de março, e a Série D do Brasileirão, com abertura projetada para 4 de abril. O clube ainda pode disputar a Copa FGF, cujo período de disputa não foi definido pela entidade.
Na prática, o retorno à elite muda o patamar de planejamento do clube. Um calendário que começa em janeiro e se estende até o segundo semestre permite contratar com antecedência, manter o elenco por mais tempo e negociar patrocínios com mais previsibilidade — exatamente o oposto do que ocorre quando um clube precisa montar um time às pressas em março. Para a SAF, que completa seu primeiro ano de operação, o desafio agora deixa de ser o acesso e passa a ser a sustentação do projeto em um ambiente mais competitivo.
Fonte: A Hora do Sul.



