A Confederação Brasileira de Futebol protocolou nesta quinta-feira (29), junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, uma representação criminal e pedido de providências contra Alexandre Domênico, presidente da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians. A medida foi motivada por uma publicação do dirigente nas redes sociais com declarações direcionadas à arbitragem brasileira — texto que, segundo a entidade, ultrapassou o limite da crítica e configurou forma de intimidação.
Na publicação no Instagram, posteriormente apagada, Alê — como o líder é conhecido — criticou a atuação dos árbitros e mencionou ter recebido informações sobre os locais de hospedagem dos profissionais antes das partidas. “E a arbitragem, a cota de vocês roubaram a gente dentro da arena já deu também, viu! Recebemos muitas mensagens de até onde vcs se hospedam antes do jogo, tenham responsabilidade fora e principalmente dentro da nossa casa, isso não é uma ameaça, só estamos avisando que já está ficando insustentável segurar a massa!!!”, escreveu o dirigente.
A entidade destacou que a ação visa zelar pela segurança dos profissionais envolvidos em suas competições e reforçou que as críticas são legítimas, mas não podem ultrapassar os limites e virar forma de intimidação.

O que a CBF pediu e a resposta do líder da organizada
A representação solicita a instauração de um Procedimento Investigatório Criminal ou a abertura de inquérito policial para apurar os fatos e eventuais responsabilidades. A CBF também pediu medidas urgentes para reforçar a segurança das equipes de arbitragem nos próximos compromissos do Corinthians, com proteção nos estádios, hotéis e trajetos utilizados pelos profissionais.
Entre os pedidos formulados, a entidade requer ainda a preservação dos dados relativos à publicação objeto da representação, a oitiva de dirigentes da Gaviões da Fiel, a apuração da origem de informações sigilosas sobre a hospedagem das equipes de arbitragem e a análise da aplicação de medidas cautelares cabíveis contra o líder da torcida. Além da esfera criminal, a CBF solicitou providências cíveis e coletivas contra o presidente da organizada, outros possíveis envolvidos e a própria Gaviões da Fiel, com base na Lei Geral do Esporte — incluindo a avaliação de providências voltadas à responsabilização da torcida organizada e de seus dirigentes.
Após a repercussão do caso, Alexandre Domênico divulgou um posicionamento para explicar a publicação. O presidente da Gaviões da Fiel afirmou que escreveu a mensagem em seu perfil pessoal, na condição de torcedor, e não em nome da organizada. Segundo ele, a manifestação aconteceu em um momento de revolta com as decisões da arbitragem contra o Corinthians, e a insatisfação não está relacionada apenas a uma partida, mas a uma sequência de situações que, em sua avaliação, prejudicaram a equipe ao longo da temporada.
“Não estou falando de um lance isolado ou de uma reclamação pontual. É um sentimento que vem se acumulando há muito tempo entre os torcedores […] Quando eu falo que ‘o juiz roubou’, é o que todo torcedor fala desde sempre, na arquibancada, no bar ou no grupo de amigos. Ninguém entende isso como acusação de crime, ninguém pensa em assalto. É um desabafo do futebol, sempre foi”, continuou Alexandre. O dirigente explicou que a referência às mensagens recebidas de torcedores revoltados tinha o objetivo de demonstrar o clima de insatisfação provocado pelas decisões da arbitragem, e não incentivar qualquer tipo de abordagem aos profissionais. Ao negar que tenha feito uma ameaça, afirmou que a equipe de arbitragem deixou o estádio tranquilamente, sem que ninguém fosse atrás dos integrantes. “Não foi ameaça e nunca será”, reforçou. Por fim, disse que continuará cobrando uma arbitragem justa e transparente e defendeu que os resultados sejam definidos dentro de campo.
O caso coloca em disputa duas leituras do mesmo texto. Para a CBF, a menção à hospedagem dos árbitros e à dificuldade de “segurar a massa” configura intimidação — daí o pedido de medidas cautelares e de proteção reforçada às equipes. Para o dirigente, trata-se do desabafo de um torcedor, em perfil pessoal, sem qualquer incentivo a ação concreta. O que decide essa divergência agora é o Ministério Público, que precisa avaliar a representação e determinar se abre investigação. Enquanto isso, a publicação original foi apagada, mas os dados dela já foram objeto de pedido de preservação — o que significa que o conteúdo pode ser usado como prova.
Fonte: Band; Gazeta Esportiva; CBF.



