John Textor vem enfrentando uma disputa judicial em torno do controle da holding proprietária do Botafogo — Foto: CLEMENT MAHOUDEAU / AFP
O Botafogo vive um momento de intensa movimentação nos bastidores de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Nesta semana, o clube de General Severiano será palco de uma importante reunião para esclarecer questões sobre a gestão de John Textor, ao mesmo tempo em que a Justiça do Rio de Janeiro proferiu uma decisão que, embora anule atos societários de julho, mantém o empresário americano no comando da SAF. Este cenário complexo reflete a dinâmica desafiadora da implementação e gestão de SAFs no futebol brasileiro, onde aspectos jurídicos, financeiros e de governança se entrelaçam.
Reunião em General Severiano
Nesta terça-feira, 14 de outubro de 2025, uma reunião de grande relevância ocorrerá em General Severiano. Thairo Arruda, CEO do Botafogo, comparecerá ao local para prestar esclarecimentos e responder a 30 perguntas enviadas por conselheiros na última semana. Os questionamentos abrangem desde questões societárias e contábeis até a gestão e movimentações financeiras da administração de John Textor na SAF.
Este encontro é uma continuidade da reunião de 29 de setembro, quando conselheiros apresentaram um abaixo-assinado solicitando a convocação de Durcesio Mello – ex-presidente do clube e atual integrante do Conselho de Administração da SAF – para prestar contas sobre a relação com o empresário americano. Na ocasião anterior, a SAF foi representada por Jonas Marmello, diretor jurídico, que não conseguiu responder a todos os questionamentos. Apesar da convocação inicial ser para Durcesio, Thairo Arruda assumiu a responsabilidade de responder e detalhar as informações possíveis sobre a SAF. Gilnei Botrel, CEO do associativo, também estará presente.
Internamente, o movimento acontece no maior momento de instabilidade entre a SAF e o clube social desde a aquisição por John Textor. Embora haja gratidão pelo que Textor fez pelo clube, um grupo de oposição que vislumbra um cenário sem o americano começa a se formar. Contudo, a posição de Textor é de tranquilidade, e ele já afirmou em entrevista que não aprova a postura dos conselheiros com Durcesio Mello e descartou disputas com o clube social. É importante ressaltar que, mesmo que as respostas não sejam consideradas positivas, os conselheiros não têm poder para votar pela saída de Textor, que é dono de 90% e sócio majoritário do futebol alvinegro.
Decisão judicial: Atos anulados, Textor mantido no comando
Paralelamente aos debates internos, a Justiça do Rio de Janeiro se manifestou sobre a disputa societária envolvendo a SAF do Botafogo. Em 13 de outubro de 2025, a 2ª Vara Empresarial da Capital, através do juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, anulou as decisões tomadas em reuniões realizadas em 17 de julho deste ano. Essas reuniões haviam alterado a composição da diretoria e do conselho da SAF Botafogo.
A decisão judicial atendeu parcialmente a um pedido da Eagle Football Holdings, empresa com sede na Inglaterra que detém 90% das ações da SAF desde 2022. A Eagle alegou que as reuniões de julho foram realizadas sem sua representação válida e em situação de conflito de interesses. Nessas assembleias, foram aprovadas medidas como a possibilidade de um aumento de capital de até R$ 650 milhões e um empréstimo de 100 milhões de euros – operações que, segundo a Eagle, poderiam diminuir sua participação na empresa e transferir ativos do Botafogo para companhias ligadas a Textor.
O juiz registrou que tanto a SAF Botafogo quanto o clube associativo concordaram com a anulação dos atos de 17 de julho, o que reforçou a decisão. Ele determinou que a Junta Comercial do Rio (JUCERJA) seja informada para registrar oficialmente a anulação.
Apesar da anulação das decisões de julho, o juiz determinou que John Textor siga no comando da SAF até que o caso seja reavaliado por um tribunal arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV). A decisão visa garantir o “status quo ante” e manter a estabilidade do clube, o que é crucial para a “segurança jurídica que o mercado bilionário do futebol exige”. O magistrado também mencionou que há tratativas em andamento para uma composição amigável e que o próprio Textor já havia se comprometido, em setembro, a não executar as medidas aprovadas nas reuniões agora anuladas.
Na prática, a decisão judicial não encerra o impasse entre Textor e a Eagle, mas suspende os efeitos das manobras societárias contestadas e mantém o empresário americano como principal dirigente da SAF até que o tribunal arbitral da FGV dê uma palavra final sobre o caso.
A Sou SAF destaca que o cenário do Botafogo reflete a complexidade inerente à gestão de SAFs, especialmente em momentos de conflito societário e de governança. A busca por transparência, a atuação dos conselhos e a intervenção judicial e arbitral são elementos essenciais para a estabilidade e o futuro dos clubes que adotam o modelo, garantindo a segurança jurídica e a confiança dos investidores e da torcida.
Fontes: ge.globo oglobo mktesportivo



