O Botafogo emitiu nota oficial nesta terça-feira (24) para se posicionar sobre o cenário financeiro da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), contestando publicações recentes do jornal “O Globo”. O clube estima que a dívida atual gira em torno de R$ 1,5 bilhão e reforça que buscará na Justiça o ressarcimento de valores devidos pelo Lyon, clube francês integrado à Eagle Holding, estrutura da qual John Textor foi afastado.
A declaração ocorre em meio a uma crise financeira e institucional agravada pela disputa judicial pelo controle da SAF entre Textor e a Eagle. Internamente, uma nova punição da Fifa é vista como questão de tempo, especialmente após o clube ter negociado uma dívida com o Atlanta United, dos EUA, relacionada à compra de Thiago Almada em 2024. Esse episódio resultou em um transfer ban que impediu registros de jogadores entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, prejudicando reforços e o desempenho da equipe sob o comando de Martín Anselmi.
O técnico argentino, pressionado pelo início ruim da temporada, não resistiu e foi demitido no último domingo (22), refletindo os impactos da instabilidade financeira no campo.
Disputa judicial e repasses para Lyon em foco
A nota do Botafogo destaca a intenção de acionar a Justiça para recuperar recursos direcionados ao Lyon, parte do portfólio da Eagle. O clube contesta narrativas sobre operações financeiras na gestão de Textor, defendendo transparência e ações para mitigar riscos.
O afastamento de Textor do Lyon também repercutiu lá. O modelo de “caixa único” e as contas apresentadas pelo clube francês foram rejeitados pelo órgão de controle financeiro da Ligue One, levando a uma decisão inicial de rebaixamento para a segunda divisão. O quadro foi revertido somente após a intervenção que removeu Textor do controle efetivo.
Crise financeira pressiona planejamento e desempenho
A dívida estimada em R$ 1,5 bilhão inclui compromissos acumulados que limitam manobras no mercado de transferências e investimentos no elenco. O transfer ban recente exemplifica como pendências internacionais paralisam o clube: sem poder registrar novos atletas por dois meses, o Botafogo viu seu planejamento para 2026 comprometido, contribuindo para a demissão de Anselmi após resultados abaixo do esperado.
A disputa com a Eagle adiciona camadas de incerteza jurídica, com Textor buscando manter influência apesar do afastamento na holding. O Botafogo, por sua vez, usa a nota para reafirmar defesa de seus interesses e busca por ressarcimento, sinalizando que não aceitará passivamente repasses que impactem sua estabilidade.
Nota oficial do Botafogo
No dia a dia da SAF Botafogo como empresa, e dadas as questões de confidencialidade envolvidas, é impossível responder a todas as notícias que surgem. Mas chama a atenção a forma como parte da imprensa tradicional está veiculando em grande volume informações incorretas que necessitam de imediata reparação. É um exercício nada complexo saber quem é a fonte da desinformação e os seus reais interesses. Tais ataques prejudicam diretamente o Botafogo, sua reputação global e os projetos esportivos e corporativos.
Consideramos importante responder a cada uma dessas notícias. Seguem abaixo:
1) 24 de março de 2026
“John Textor repassou R$ 110 milhões de aporte obrigatório para compra da SAF do Botafogo ao Lyon”. Especialistas independentes avaliam se operação pode ter resultado em quebra do acordo de acionistas.
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/esportes/futebol/botafogo/noticia/2026/03/24/john-textor-repassou-r-110-milhoes-de-aporte-obrigatorio-para-compra-da-saf-do-botafogo-ao-lyon.ghtml
– A fonte do Jornal O Globo registrou o envio de R$ 110 milhões do Botafogo ao Lyon, mas foi leviana ao não informar que, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, o Grupo Eagle transferiu mais de R$ 233,7 milhões (€38 milhões) ao Botafogo.
– A reportagem preferiu fazer valer a informação da “fonte” – sempre oculta, anônima, nunca revelada. Mesmo ciente de que houve novos aportes, a informação foi ignorada. Fica clara a intenção de passar a imagem de que havia “algo suspeito”.
– Quanto à afirmação de que “a SAF pode não ter cumprido o Acordo de Acionistas”: o Acordo prevê aporte de 400 milhões de reais, orçamento mínimo anual do futebol de 100 milhões e orçamento geral mínimo de 200 milhões. A contribuição total exigida foi depositada antecipadamente, desde maio de 2024, quase um ano antes do prazo previsto.
→ Em 2025, o orçamento anual geral cumpriu mais de 5 vezes a meta mínima, e o do futebol, mais de 3 vezes.
→ Grandes investimentos em ativos fizeram o valor do elenco (valuation) saltar para cerca de 750 milhões de reais, estimam os sites especializados mais conservadores. A SAF foi muito além e apresentou investimentos significativamente superiores em todos os quesitos.
– Não custa lembrar a reportagem de fevereiro de 2021, que relatava que o Botafogo não tinha sequer bolas para treinar, segundo um ex-dirigente. Hoje, a SAF possui uma das melhores infraestruturas de treinamento, jogo e corporativa do Brasil.
2) 23 de março de 2026
“Textor deu poderes a si para representar ‘isoladamente’ SAF do Botafogo em empréstimo”
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/03/textor-deu-poderes-a-si-para-representar-isoladamente-saf-do-botafogo-em-emprestimo.ghtml
– Uma ata pública de poucas páginas, registrada e divulgada entre os poderes do clube, foi tirada de contexto com o único intuito de causar desinformação.
– Textor não deu poderes para si mesmo. É uma questão natural: o antigo CEO, Thairo Arruda, renunciou ao cargo. Como os dois eram os únicos diretores estatutários, é natural que Textor permanecesse como o único tomador de decisão.
– “Textor elegeu a aplicação da lei suíça para toda receita relacionada com transferências de atletas da equipe profissional do Botafogo”, diz a reportagem.
→ A escolha da Suíça é natural e foi uma exigência do novo credor: é onde está sediada a FIFA, entidade máxima do futebol, e onde disputas relacionadas ao futebol são resolvidas.
– “Foi concedida uma procuração à credora (GDA Luma) para praticar todos os atos em nome da SAF”, diz a reportagem.
→ Isso não procede. O que ocorreu foi o reconhecimento das garantias à credora caso o empréstimo não fosse pago – uma “procuração com finalidade específica” é uma prática padrão em qualquer transação bancária dessa natureza.
– “Dívida estimada em R$ 3 bilhões” → esse montante não procede. Em 2021, a receita do Clube Social, antes da SAF, era de 118 milhões para uma dívida de 1,2 bilhão (relação de 1 para 10, absolutamente crítica).
→ A SAF, por sua vez, está em um patamar de endividamento mais saudável, atualmente em 1-2 vezes a sua receita.
→ O valor atual da dívida está sendo calculado e será publicado na próxima edição do balanço, mas seguramente é cerca de metade do montante informado.
→ A maior parte da “dívida” são pagamentos a vencer de investimentos realizados na contratação de ativos (jogadores), que ainda vão render frutos no futuro.
→ A dívida relacionada aos jogadores é muito diferente da dívida herdada do Clube Social e deve ser comparada ao valor atual do elenco. Em 2022, o Clube Social entregou à SAF um elenco sem valor econômico significativo. Hoje, o elenco e os jogadores da base do Botafogo valem mais de R$ 1,2 bilhão.
→ O passivo herdado do Clube Social foi reduzido pela SAF em R$ 600 milhões.
→ O Acordo de Acionistas estabelece limitação no nível de endividamento. A SAF está dentro dos parâmetros exigidos e sempre apresentou tais resultados aos acionistas (Eagle e Clube Social), sem questionamentos sobre este limite.
3) 20 de março de 2026
“As operações entre Botafogo e Lyon envolvendo Luiz Henrique, Almada e cia. que revelam o ‘modo Textor’ nas finanças”
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/esportes/futebol/botafogo/noticia/2026/03/20/as-operacoes-entre-botafogo-e-lyon-envolvendo-luiz-henrique-almada-e-cia-que-revelam-o-modo-textor-nas-financas.ghtml
– Apesar do que sugere a reportagem, nas relações de compartilhamento de fluxo de caixa, a SAF Botafogo, o OL e o RWDM jamais cometeram qualquer irregularidade.
– Trata-se de mais uma reportagem com informações internas vazadas com o intuito de gerar confusão e desinformação.
– Em diversas entrevistas, Textor já abordou o tema e explicou os benefícios do fluxo de caixa compartilhado, assim como tornou público o valor que a SAF Botafogo aguarda receber do OL.
– O Botafogo já acionou a Eagle e vai acionar o OL na Justiça para ressarcimento dos valores que lhe são devidos.
– Luiz Henrique, Thiago Almada, Igor Jesus e outros atletas foram recrutados unicamente por este ‘Modelo Textor’ e agora temos campeonatos para comprovar isso. Este modelo funciona.
– Os problemas financeiros atuais não foram causados por este modelo de negócios único. Eles foram causados pela interrupção intencional deste modelo.
– O Botafogo iniciará em breve um processo judicial contra o OL e os indivíduos que interromperam o modelo de negócios da Eagle para recuperar os valores devidos.
Completamos, neste mês de março, 4 anos de SAF. Muitas situações não ocorreram como planejávamos, outras foram ainda melhor do que a gente poderia imaginar. Sabemos da nossa responsabilidade e seguiremos trabalhando por um Botafogo protagonista, com o sentimento de que precisamos de um Clube unido para que tudo isso reflita em um futebol forte e campeão.



