A diretoria do Vasco da Gama avançou em negociações decisivas para a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), quase dois anos após a saída da 777 Partners. Representantes do clube e de Marcos Lamacchia, empresário com experiência em gestoras financeiras, reuniram-se nesta semana e chegaram a um pré-acordo por um valor superior a R$ 2 bilhões. O negócio, que envolve a aquisição de 90% da SAF, ainda depende de ajustes no cronograma de investimentos e aprovação dos conselhos do clube.
Lamacchia, que atuou como diretor da Crefisa e trabalhou no Banco Alfa, além de fundar a Blue Star em 2011, acompanha de perto o processo. Ele reside entre Aspen, nos EUA, e São Paulo, e mobilizou parte de sua estrutura jurídica e financeira para analisar os números do Vasco. O investidor precisa ainda passar pela agência de fair play financeiro da CBF.
O pré-acordo estabelece compromissos mínimos de aportes em áreas como contratações de atletas, folha salarial, infraestrutura no CT, fluxo de caixa e esportes olímpicos (via lei de incentivo). O plano também prevê o cumprimento do cronograma de pagamento da recuperação judicial, abrangendo as dívidas tanto do clube associativo quanto da SAF.
Pagamentos iniciais da recuperação judicial avançam
Paralelamente à negociação, o Vasco iniciou os pagamentos da recuperação judicial no primeiro trimestre. A previsão é de quitar quase R$ 20 milhões em débitos até o fim de março, divididos da seguinte forma:
- Até
R$ 8 milhõesem dívidas cíveis e trabalhistas de credores listados no processo; - Aproximadamente
R$ 10 milhõesreferentes a acordos coletivos acumulados na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF.
O clube tenta um novo acordo na CNRD, mas aguarda aprovação do órgão. Esses passos reforçam a solidez financeira recente, com o caixa fortalecido pela campanha na Copa do Brasil (avançou à final, gerando receitas de bilheteria e sócio-torcedor) e um empréstimo de R$ 80 milhões da Crefisa, fechando 2025 com R$ 60 milhões positivos.
Da crise com a 777 ao novo horizonte
A transação surge após um período de instabilidade com a 777, que detém 31% da SAF adquiridos em aportes desde 2022. O Vasco questionou judicialmente irregularidades contratuais e rompeu com o grupo antes de sua falência global, evitando riscos como liquidação de ativos e atrasos salariais. Desde então, o clube está em dia com compromissos.
A divisão atual das ações da SAF é:
- 30% com o clube associativo;
- 31% com a 777;
- 39% sob poder do Vasco por determinação judicial, em discussão na arbitragem.
Para concretizar a venda da parte em arbitragem, será necessário acordo ou decisão favorável ao Vasco. A A-CAP, ligada ao “espólio” da 777, está inclusa no preço, sem entraves previstos.
O Vasco não comenta até a assinatura e aprovação pelos Conselhos Beneméritos e Deliberativo. O presidente Pedrinho demonstrou otimismo na CBF, confiando que Lamacchia supere os investimentos mínimos obrigatórios.
Acordo pode recolocar Vasco em patamar competitivo
A possível venda marca uma virada estratégica para o Vasco, que busca estabilidade financeira e esportiva após anos de turbulência. Com foco em dívidas quitadas e aportes planejados, o negócio visa profissionalizar a gestão e impulsionar o futebol, preservando o controle associativo minoritário.
Fonte: ge.Globo.



