O Atlético-MG posicionou-se estrategicamente em favor da criação de uma liga unificada no futebol brasileiro, estimando que a centralização comercial pode elevar o faturamento estrutural do clube em 50%. Pedro Daniel, CEO da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) alvinegra, detalhou a visão da instituição sobre a necessidade de transformar a competição em um produto único para atrair investimentos e profissionalizar o mercado nacional, corrigindo o que classifica como uma subvalorização do produto atual.
Atualmente vinculado à Libra até 2029, o Atlético-MG também possui compromissos com investidores do Futebol Forte União (FFU), para os quais vendeu 10% de seus direitos de transmissão. No entanto, a diretoria entende que a fragmentação entre blocos é prejudicial ao mercado. A tese defendida é de que o Brasil, apesar de ser um dos grandes centros do futebol, ainda falha ao não vender a competição como um todo, deixando de organizar ativos que vão além da transmissão, como placas de publicidade, direitos internacionais e o uso estatístico de dados por casas de apostas.
Centralização de direitos e o papel mediador da CBF
A gestão do Atlético-MG vê na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a figura ideal para mediar a unificação entre os clubes. A avaliação é de que tentativas anteriores de criar ligas independentes falharam por falta de consenso sobre o crescimento do mercado, focando excessivamente na divisão das fatias atuais em vez de expandir o valor total do negócio. Para o clube, a CBF possui a visão sistêmica necessária para coordenar essa transição, que idealmente deve estar consolidada para o ciclo que se inicia em 2030.
A expectativa é que um mercado regulado, apoiado por regras de Fair Play Financeiro e uma liga estabelecida, possa elevar o Campeonato Brasileiro do atual sétimo ou oitavo lugar para o Top 3 mundial em valor de mercado. O CEO argumenta que a valorização coletiva do produto permitiria a contratação de atletas de elite e a modernização da infraestrutura, criando um “ciclo virtuoso” que beneficiaria desde os grandes clubes até os médios, que passariam a faturar mais por estarem inseridos em uma plataforma comercial mais robusta e atraente para consumidores globais.
Reestruturação financeira e o projeto Galo 2030
No âmbito interno, o Atlético-MG trabalha com um plano de negócios estruturado para garantir a sustentabilidade a longo prazo. Recentemente, o clube recebeu um aporte de R$ 530 milhões da família Menin, recurso destinado prioritariamente ao pagamento de dívidas bancárias, que somam R$ 600 milhões de um passivo total estimado em R$ 1,7 bilhão. A estratégia não foca na redução nominal dos débitos por meio de descontos, mas sim no cumprimento integral com os credores através do reperfilamento das dívidas e do aumento da eficiência organizacional.
O futuro da instituição está ancorado no projeto “Galo 2030”, que prevê investimentos contínuos em infraestrutura, categorias de base e na modernização da Arena MRV. Somente para este ano, o planejamento contempla um investimento de quase R$ 35 milhões em melhorias estruturais. A meta é que, até o final da década, o clube tenha consolidado uma estrutura de capital sólida e uma organização capaz de competir globalmente, tratando o futebol com uma visão societária onde o sucesso do espetáculo como um todo fortalece a marca individual do clube.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG, já está disponível no Spotify e também no canal da Máquina do Esporte no YouTube.
Fonte: Máquina do Esporte.



